Numa longa entrevista a Joe Rogan, que pode ver no YouTube em baixo, Elon Musk falou um pouco de tudo. E não se furtou a comentar o calendário da Tesla para a introdução no mercado de novos modelos. Foi aí que surgiu a surpresa relativa ao Roadster, apresentado em Novembro de 2017 e prometido para 2020. Sabe-se agora que deverá derrapar para 2022, na melhor das possibilidades.

O Roadster promete ser uma pedrada no charco, quando surgir no mercado. Não só por ser um coupé elegante e extremamente potente – vai partilhar a plataforma Plaid que o Model S vai estrear primeiro, com dois motores atrás e um à frente, ou seja, o carro que a marca andou a desenvolver no Nürburgring e com que bateu o tempo do Porsche Taycan em 20 segundos –, como também por prometer uma autonomia de 1000 km, graças a uma enorme bateria com 200 kWh de capacidade.

O maior trunfo do Tesla Roadster é conseguir garantir tudo isto e, ainda, assegurar uma velocidade máxima de 400 km/h e 0-100 km/h em 1,9 segundos, exigindo apenas um investimento de 200.000€ (250.000€ na versão especial de lançamento, a Founders Series). Não há no mercado outro desportivo que se aproxime minimamente deste nível de desempenho, tenha ele um motor a combustão ou eléctrico, que custe abaixo dos 2 milhões de euros, ou seja, 10 vezes mais.

Na entrevista, Musk não parece preocupado em obrigar todos os que encomendaram o Roadster a mais dois anos de espera, admitindo que, de momento, a Tesla está apostada em elevar a produção do Model Y para a velocidade de cruzeiro, o que passa por terminar o reforço da Gigafactory na China para acomodar o SUV e começar igualmente a produzi-lo na Gigafactory em Berlim (ainda em construção), de onde irão sair os modelos destinados ao mercado europeu, evitando assim as taxas às importações dos EUA.

Segundo o CEO, a seguir ao Model Y, a dedicação da Tesla será centrada na Cybertruck, cuja fábrica na zona central dos EUA deverá ser anunciada ainda em Maio, a que se juntará o camião Semi. Só depois estarão reunidas as condições para o Roadster ser o centro das atenções da Tesla, que Musk vê como a “sobremesa”, depois dos “pratos principais”.

A realidade é que então, algures durante 2022, as novas baterias desenvolvidas exclusivamente pela Tesla (e já não em parceria com a Panasonic) já estarão disponíveis – com preço inferior e maior densidade energética – e a ser utilizadas na Cybertruck e no Semi, pelo que o acelerar rumo à produção do Roadster será substancialmente mais fácil. Se bem que, lamentavelmente, bastante atrasada.