“O verão não vai fazer isto melhorar. É importante que as pessoas tenham essa noção”, avisa Dionne Gesink, um dos epidemiologistas da Universidade de Toronto que participaram num estudo em que os investigadores dizem ter confirmado a escassa importância do fator sazonalidade nesta pandemia. Só as medidas de distanciamento social podem abrandar o vírus, avisam os responsáveis pelo estudo.

O estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, revelou que existe uma ligação muito ténue ou, mesmo, nula entre a propagação do vírus e fatores como a temperatura ambiente e a latitude – os dados confirmam alguma sensibilidade do vírus à humidade, mas também aí a ligação não é significativa. Em busca de padrões, os investigadores analisaram os indicadores de contágio do novo coronavírus durante o mês de março, cruzando os dados com os diferentes níveis de humidade, latitude e intervenções das autoridades de saúde para reduzir a propagação.

“Nós tínhamos feito uma primeira análise preliminar e nessa fase os dados pareciam indicar que a latitude e a temperatura podiam desempenhar um papel. Mas quando repetimos o estudo, aplicando uma metodologia mais rigorosa, obtivemos o resultado contrário”, comentou outro dos investigadores, Peter Juni, também da mesma universidade.

Os nossos resultados têm relevância imediata porque vários países, incluindo algumas províncias canadianas, estão a ponderar atenuar ou eliminar algumas medidas de distanciamento social. A sazonalidade deverá, provavelmente, ter uma influência menor na epidemiologia da Covid-19″, afirmam os autores do estudo.

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A sazonalidade da gripe comum está cientificamente bem demonstrada, refere o estudo, mas o mesmo não parece aplicar-se ao novo coronavírus. O investigador Dionne Gesink sublinha que “as pessoas devem ter a noção de que o verão não vai tornar a situação melhor” – o fator que demonstrou ter tido maior influência na propagação do vírus, demonstra o estudo, foi o tipo de medidas de confinamento e distanciamento social que os diferentes governos adotaram.

Foram analisados 144 países ou regiões no mundo, incluindo vários estados dos EUA. Não se analisou dados de países como China, Itália ou Irão, porque no período temporal utilizado no estudo a pandemia já estava (aparentemente) em retrocesso ou amplamente difundida nesses países. Os investigadores reconhecem que a análise poderá ter algumas fragilidades devido às práticas muito díspares de testagem que existem nos países, mas defendem que a análise é suficientemente robusta para recomendar uma “ponderação cuidada” nos processos de desconfinamento.

Os resultados do estudo estão disponíveis nesta ligação (em inglês).

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