Uma semana depois do se iniciar a primeira fase do desconfinamento, a associação ambientalista Zero voltou a analisar a qualidade do ar nas duas principais cidades do país. E as conclusões vão em sentido contrário.

Em Lisboa, a concentração média de dióxido de azoto nos dias úteis da última semana, já em estado de calamidade (4 a 8 de maio), foi mais reduzida em todas as estações comparativamente com a média das concentrações nos dias úteis desde o estado de alerta até ao final do estado de emergência (16 de março a 30 de abril).Estes valores já estavam muito abaixo da média do verificado desde o início do ano até ao estado de alerta.

No Porto, e tendo como pontos de análise as duas estações de monitorização de qualidade que têm dados desde abril, a média de concentrações nos dias úteis entre a última semana de estado de emergência e a passada semana aumentou, apesar de os valores serem mais reduzidos do que as concentrações de dióxido de azoto verificadas nas semanas entre 13 e 24 de abril. A Zero salvaguarda ainda que a estação próxima de Campanhã fica próxima de um semáforo, o que pode interferir nos dados.

A Zero assinala o recorde de dois meses com excelente qualidade do ar que coincidem com as maiores restrições à circulação por causa da pandemia. As concentrações de dióxido de azoto na estação de monitorização da Avenida da Liberdade continuam a apresentar sucessivos recordes em diversas análises.

“Neste caso, e considerando já um período mais longo iniciado a 16 de março de 2020 com o estado de alerta e até esta última sexta-feira, dia 8 de maio, foi possível identificar que a média da concentração deste poluente nunca havia sido tão baixa desde 1994 (ano em que a estação iniciou o seu funcionamento) durante tanto tempo (quase dois meses)”.

O dióxido de azoto é um bom indicador da poluição associada à atividade humana e tem sido usado por diversas entidades e universidades à escala mundial para avaliar o impacte da quebra da atividade económica e da mobilidade na qualidade do ar.