Apesar da pandemia da Covid-19 estar em níveis assustadores nos EUA, a economia parece estar ainda mais “doente”, com o desemprego a disparar para valores astronómicos, o que levou à vontade (e à necessidade) de reabrir a maioria das fábricas de automóveis, entre outras actividades, ainda que com redobrados cuidados para controlar a propagação do coronavírus.

O Governador da Califórnia decretou que as instalações fabris de primeira necessidade poderiam retomar a actividade no início de Maio, mas os responsáveis pelo distrito de Alameda County, um dos 58 condados do estado, resolveram manter tudo fechado, pelo menos até 1 de Junho. Ou seja, bem depois de 18 de Maio, data em que deverão regressar ao activo as fábricas da General Motors, Ford e Fiat Chrysler Automobiles. Ora sucede que é exactamente aí que a Tesla tem a sede e a fábrica de Freemont, de onde saem todos os modelos da marca para todo o mundo, à excepção da Ásia e apenas desde final de 2019, com o arranque da Gigafactory de Xangai.

Como interpretou a posição do Governador da Califórnia como uma autorização para reabrir Freemont, Elon Musk ficou surpreendido com a “nega” recebida por Alameda County, cuja responsável pela saúde decidiu continuar a impor regras mais rígidas de distanciamento social, apesar de Musk já ter implementado as regras de segurança testadas na Gigafactory de Xangai. Alameda County é uma região com 1,671 milhões de habitantes em que apenas estão registados 1961 casos positivos de Covid-19 e 70 fatalidades provocadas pela doença. Se compararmos com Portugal, por milhão de habitantes, o condado que tem Oakland como capital regista 63,2% menos de mortos e 57,5% menos de infectados.

Perante esta contrariedade – e é público o facto de o CEO da Tesla não lidar bem com este tipo de situação –, Musk partiu para o ataque e processou Alameda County, aconselhando os accionistas a proceder da mesma forma. Mas não ficou por aqui e prometeu mudar a sede para o Nevada, que Las Vegas iria receber de braços abertos. Para trás fica a questão dos 14.000 empregados, mas os EUA são de longe o país em que mais se muda de cidade atrás de melhores oportunidades de trabalho.

Resta ver até onde vai este braço de ferro, perceber quem vai ceder e conhecer o futuro da fábrica que a Tesla adquiriu em 2010, tirando um peso de cima dos responsáveis da região, depois da GM e da Toyota terem decidido encerrá-la.