O lucro da Allianz registou uma descida de 28,9% no primeiro trimestre deste ano, para 1.400 milhões de euros, na comparação com igual período do ano passado, o que ocorreu num contexto difícil, revelou esta terça-feira a seguradora alemã.

O resultado operacional caiu 22,2% no período em análise, para 2.304 milhões de euros, enquanto o volume de prémios de seguro direto melhorou nos três primeiros meses deste ano para 2.600 milhões de euros, o que representou uma subida de 5,7%.

Na apresentação do balanço e contas, a seguradora explicou que “a turbulência causada pela Covid-19 nos mercados financeiros e a paralisação da economia pioraram significativamente as condições no setor dos serviços financeiros”.

Allianz revelou que está preparada para superar a crise através de uma carteira de negócio “bem diversificada” e “um balanço robusto”, considerando que teve um “bom resultado” no trimestre em apreço, lê-se no comunicado.

A divisão de gestão de ativos melhorou o lucro operacional suportada no aumento da receita que depende dos ativos geridos, mas a divisão de seguros não vida, incluindo acidentes, teve um pior desempenho devido aos desastres naturais e à pandemia da covid-19.

O resultado do ramo vida e saúde também registou um recuo devido à turbulência dos mercados de capitais e à queda das margens dos investimentos em capital.

Além disso, o resultado operacional da seguradora também caiu porque o lucro da venda da Allianz Popular foi absorvido pelo efeitos no mercado resultantes da pandemia da cCovid-19.

A Allianz terminou o primeiro trimestre com um rácio de capitalização, segundo a norma de supervisão de Solvência II de 190% (218% no ano fiscal anterior e de 212% no final de dezembro passado).

O presidente da Allianz, Oliver Bäte, explicou que “o primeiro trimestre mostrou a solidez da Allianz numa situação sem precedentes”.

O negócio dos seguros do ramo não vida viu o lucro operacional recuar para 1.032 milhões de euros (-29,1%) devido ao aumento dos sinistros com desastres naturais e os efeitos da pandemia da covid-19.

Os seguros do ramo vida e saúde também tiveram um resultado operacional pior, ao situarem-se nos 819 milhões de euros (-25,3%) devido à queda nas margens dos investimentos de capital e por causa da turbulência nos mercados financeiros, bem como devido ao aumento dos custos nos Estados Unidos, embora a gestão de ativos tenha registado um acréscimo homólogo para 679 milhões de euros (+18,6%).

A Allianz retirou as previsões sobre o resultado operacional para 2020, inicialmente avançadas, que se situavam entre 11.500 e 12.500 milhões de euros, o que se deveu ao impacto negativo da pandemia da covid-19 e anunciou que não avançará com novas previsões até que possa calcular melhor os efeitos da crise.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 283 mil mortos e infetou mais de 4,1 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Quase 1,4 milhões de doentes foram considerados curados.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (80.087) e mais casos de infeção confirmados (mais de 1,3 milhões). Seguem-se o Reino Unido (32.065 mortos, mais de 222 mil casos), Itália (30.739 mortos, mais de 219 mil casos), Espanha (26.744 mortos, mais de 227 mil casos) e França (26.643 mortos, mais de 177 mil casos).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, vários países começaram a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos a aliviar diversas medidas.