“A linha com mais sentido de futuro é mesmo a linha circular.” É esta a posição que o ministro do Ambiente e da Ação Climática assumiu durante a sessão que decorreu na Comissão de Economia, Inovação Obras Públicas e Habitação, à qual foi chamado a prestar explicações sobre as obras de expansão no metro de Lisboa. João Pedro Matos Fernandes teve de defender a sua posição dos deputados que estão contra esta opção (a de unir a linha verde à amarela, criando uma verde circular) e que agora o acusam de tomar decisões, “ignorando completamente todos os debates da Assembleia da República”. O ministro garantiu ainda que o Governo estará pronto para estender a linha vermelha assim que conseguir financiá-la.

As quase três horas de comissão giraram inevitavelmente em torno do projeto da linha circular, que pretende unir a linha verde e amarela. Questionado pelos diferentes partidos, Matos Fernandes colocou todas as fichas nos números da procura para justificar a expansão dentro da cidade de Lisboa. Por sua vez, partidos como PAN, Bloco e PCP sublinham a necessidade de o metropolitano crescer para norte, em direção a Loures.

“A linha circular capta mais passageiros (…), numa relação de dois para um”. “São 18 milhões de passageiros que deixam de utilizar o automóvel e passam a usar o metro”, explicou, acrescentando que “ao criar o anel circular ficam criadas as condições ideais” para apontar o metro para a periferia.

No entanto, as justificações que o ministro apresentou não foram suficientes para os deputados. Em determinados momentos, visivelmente mais incomodado, o ministro do Ambiente chegou a dizer que Isabel Pires, do Bloco de Esquerda, quer torturar os números, “até que eles confessem e digam o que a deputada quer”. Isto depois de a bloquista o ter acusado de atuar “ao arrepio das decisões e das votações no parlamento”.

Isabel Pires, tal como Carlos Silva (do PSD) ou Inês Sousa Real (do PAN), referia-se aos diferentes momentos em que a Assembleia da República procurou travar o projeto que pretende unir as linhas verde e amarela: por exemplo, em setembro de 2019, o parlamento tinha aprovado uma recomendação para que este projeto não avançasse. Mas na audição, Matos Fernandes foi recorrendo à promulgação do Orçamento de Estado pelo Presidente da República para se defender.

Ainda na Comissão, o ministro teve de deixar esclarecimentos  sobre a linha vermelha, cujo projeto prevê uma expansão até Alcântara. Matos Fernandes disse que o crescimento da linha estará pronto a ser lançado em outubro ou novembro, se houver financiamento.

“Estamos em condições de, em outubro ou novembro, poder lançar um concurso que, obviamente, tem que incluir ainda o estudo de impacto ambiental e avaliação de impacte ambiental, mas lançar um concurso-pacote mediante um estudo prévio no qual, quem vier a fazê-la, tenha que fazer o estudo de impacte ambiental, a avaliação de impacte ambiental e o projeto de execução.

Entre outros investimentos, o ministro salientou ainda a existência de projetos para uma segunda linha do metro em Vila Nova de Gaia, a partir da cidade do Porto, que “venha a ser feita tão depressa quanto possível”. Matos Fernandes, ouviu ainda Bruno Dias, deputado do PCP, que o acusou de planear “estratégias de curto prazo” e ao mesmo tempo exibia uma notícia de 2009, onde podia ler-se uma promessa do governo socialista de haver metro em Loures em 2015.