O número de casos de migrantes que tentaram entrar irregularmente na União Europeia em abril caiu 85% face a março, para 900, o valor mais baixo de que há registo e justificado pela pandemia da Covid-19, segundo a Frontex.

De acordo com os dados preliminares esta terça-feira divulgados pela Agência Europeia de Fronteiras e Guarda Costeira, o número de tentativas detetadas de entrada irregular em território europeu no mês passado é o mais baixo desde que a Frontex começou a recolher dados, em 2009, e “deve-se sobretudo ao efeito do coronavírus”. Ainda assim, o número total de travessias ilegais das fronteiras externas da UE nos primeiros quatro meses de 2020 foi de 26.650, “em linha com o mesmo período do ano passado”.

A maior queda na atividade das rotas migratórias ilegais em abril verificou-se no Mediterrâneo Oriental, com a deteção de apenas 40 casos, uma descida de 99% face a março, aponta a Frontex. No Mediterrâneo Central, os casos detetados recuaram 29% em abril face a março, para 250, enquanto no Mar Mediterrâneo Ocidental o recuo foi de 82%, para uma centena de casos, sensivelmente o mesmo número de tentativas de passagem ilegal detetadas na rota dos Balcãs Ocidentais, o que neste caso representa uma queda de 94% face a março.

A Frontex salienta que os seus dados referem-se a deteções de travessias ilegais nas fronteiras externas da UE, sendo que uma mesma pessoa pode tentar entrar em território europeu diversas vezes e em diferentes locais, o que significa que mais do que provavelmente o número de deteções é superior ao número de migrantes individuais.

A agência salienta igualmente que estes dados provisórios ainda não incluem casos detetados em Chipre, notando que a pandemia da Covid-19 levou também a um atraso na compilação e transmissão dos dados pelas autoridades nacionais.