O boletim dos números da Covid-19 divulgado nesta terça-feira aponta para a maior subida do número de casos recuperados desde que é feita esta monitorização: foram 464, fazendo subir o total para 3.013, mas isso não impede que o país tenha uma das taxas de recuperação mais baixas da Europa.  Portugal tem esta terça-feira uma taxa oficial de recuperação de 10,8%, substancialmente menor do que os 66,9% de Espanha ou os 48,5% de Itália.

A explicação para esta diferença substancial foi dada esta terça-feira, na conferência de imprensa diária da Direção-Geral de Saúde e do Ministério da Saúde — e, pelo que indica Graça Freitas, deve-se sobretudo à falta de registo de alta dos doentes Covid-19 que ficaram em casa. Desta forma, o problema parece ser da ordem do tratamento estatístico e não sanitário.

“Uma grande maioria das pessoas, mais de 80%, permaneceram em ambulatório no seu domicílio”, referiu a diretora-geral de Saúde. E, por agora, estes casos não têm sido incluídos na contagem dos curados. “Neste momento, [o Ministério da Saúde está] a desenvolver metodologias para que os médicos de medicina geral e familiar, que acompanharam ao longo de semanas pacientes em ambulatório nas suas residências, registem [as altas] numa plataforma credível”, adiantou Graça Freitas.

Esta foi a explicação da diretora-geral de Saúde, no dia em que foram anunciados mais 224 contágios (elevando o total para 27.913) e 19 mortes (totalizando assim 1.163 mortes).

Governo não adianta se vai impor quarentena a quem vem do estrangeiro

Na mesma conferência de imprensa, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, não quis adiantar se o Governo se prepara para ditar a obrigação de quarentena para quem chegar ao país vindo do estrangeiro. Uma medida deste tipo foi anunciada esta terça-feira em Espanha, e entrará em vigor a partir desta sexta-feira, com todas as pessoas que cheguem àquele país desde o estrangeiro a terem de ficar em quarentena durante 14 dias. Só poderão sair para comprar bens essenciais.

“Estamos em permanente contacto com o governo espanhol no sentido de podermos articular quaisquer medidas ou decisões que possam ser tomadas e igualmente faremos com os países de proveniência”, respondeu o secretário de Estado, sem referir quais são as medidas que estão a ser equacionadas. Por agora, a fronteira entre Portugal e Espanha está fechada — abrindo-se apenas a exceção para o transporte de bens e mercadorias.

Mais definitivo foi em relação à possibilidade de os trabalhadores do setor da saúde poderem gozar férias. Depois de esse direito ter sido suspenso por despacho a 15 de março, atendendo então à gravidade da pandemia, o secretário de Estado anunciou que essa medida foi revogada esta terça-feira.

“Está novamente autorizado o gozo de férias por profissionais de saúde, desde que seja acautelado o normal funcionamento do serviço, tendo em conta a necessidade de manutenção da prontidão de resposta ou um eventual aumento de incidência de Covid-19 em Portugal”, informou o secretário de Estado.

Testes em escolas serão feitos “analisando situação a situação”

Sobre o desconfinamento, já em marcha nalguns setores do país, sobram ainda algumas dúvidas. É o caso específico das escolas, já que no dia 18 de maio voltará a haver aulas presenciais para os estudantes do 11º e do 12º ano. Confrontada com a existência de uma petição da FENPROF para a realização de testes a toda a comunidade escolar antes do regresso às aulas, Graça Freitas referiu que serão feitos testes “analisando situação a situação”, mas admitiu, sem precisar quais, que “outras situações serão equacionadas”.

A diretora-geral de Saúde respondeu ainda a uma pergunta sobre a possibilidade de a vacina da BCG, contra a tuberculose, vir a ser novamente de toma obrigatória no plano nacional de vacinação. Esta dúvida surge numa altura em que há indicações de que aquela vacina pode ser benéfica no combate à Covid-19 — algo, porém, que ainda não foi comprovado de forma conclusiva. É precisamente para essa dúvida que aponta Graça Freitas. “Não havendo robustez nessa informação, nós não temos nenhum motivações para alterar as recomendações do Programa Nacional de Vacinação”, disse. Desta forma, a vacinação com a BCG continuará a ser feita apenas a crianças que pertençam a grupos de risco.