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Os alertas de Bill Gates prevendo um possível aparecimento de novos surtos virais que substituíssem as antigas guerras como “o maior risco de catástrofe” para o mundo, começaram a pulular pela internet poucas semanas depois de o SARS-CoV-2 começar a instalar-se fora da China. Ainda assim, o empresário e filantropo acredita que deveria ter feito mais para evitar que o mundo tivesse de lidar com uma pandemia que já infetou mais de quatro milhões de pessoas e que já matou mais de 290 mil.

Ao jornal norte-americano The Wall Street Journal, que publicou no início desta semana um artigo intitulado “Bill Gates tem ressentimentos”, o fundador da Microsoft Corporation, que é também um dos responsáveis pela existência da Bill & Melinda Gates Foundation, afirmou: “Gostava de ter feito mais para chamar a atenção para o perigo. Sinto-me terrível. O único objetivo de falar sobre isto era que pudéssemos agir e minimizar os danos”.

Considerando o novo tipo de coronavírus “de longe a coisa mais dramática que vi no meu tempo de vida”, Bill Gates lamenta ainda que os alertas que deixou, tal como os que deixaram outros especialistas e peritos, não tenham sido encarados seriamente: “Gostava que os avisos que eu e outros fizemos tivessem levado a uma ação global mais coordenada”.

Bill Gates (e não só) previram esta pandemia há anos. E deixaram pistas para a resolver

Segundo o Wall Street Journal, Bill Gates terá explicado os riscos de uma pandemia futura aos candidatos à presidência dos Estados Unidos da América em 2016, o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton, tendo então desafiado cada um deles a fazer da preparação para um cenário desses uma prioridade nacional. Além disso, já depois das eleições, terá alegadamente falado sobre o assunto com o já Presidente Donald Trump, num encontro na Trump Tower, em dezembro de 2016. A Casa Branca “recusou comentar” esta informação.

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Ao todo, a fundação de Bill e Melinda Gates — a Bill & Melinda Gates Foundation — já terá investido 305 milhões de dólares em investigação para vacinas e medicamentos para a Covid-19 e também em apoio para fazer chegar medicamentos e bens a países mais pobres, segundo o Wall Street Journal (WSJ). Até ao final da pandemia, “vamos acabar a gastar muito mais”, prevê Bill Gates.

Neste momento, a fundação está sobretudo focada em financiar investigações e em trabalhar com “responsáveis de farmacêuticas e Governos” (de acordo com o WSJ) para “produzir milhares de milhões de doses de vacinas promissoras” em desenvolvimento, à medida que estas são testadas, para que vacinas eficazes possam ser depois administradas “tão rapidamente quanto os reguladores as aprovarem”. A Bill & Melinda Gates Foundation terá ainda “reservado espaço numa fábrica de modo a que a produção de novos medicamentos eficazes possa começar rapidamente” mal estes sejam aprovados pelos reguladores e cientistas.

Tendo defendido ainda em abril a importância de continuar a financiar a Organização Mundial de Saúde (OMS), que até pode “precisar de mais recursos”, Bill Gates diz agora que a sua esperança é que “os líderes de todo o mundo, que são responsáveis por proteger os seus cidadãos, retirem as lições que possam ser retiradas desta tragédia e que invistam em formas e sistemas de prevenir surtos futuros”.