O governo israelita indicou esta quarta-feira que a propagação da Covid-19 agravou o antissemitismo e apelou aos gestores das principais redes sociais e à comunidade internacional para tomarem medidas contra “o aumento alarmante de discursos de ódio”.

O impacto global da pandemia aumentou as “difamações, teorias da conspiração e apelos à violência contra judeus e o Estado hebreu”, refere um relatório do Ministério de Assuntos Estratégicos intitulado “O vírus do ódio”. O relatório aponta o Irão, a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), os movimentos de extrema-direita e da esquerda radical como os principais difusores daquele discurso.

Segundo o estudo, há “um surgimento de formas clássicas e novas de antissemitismo”, assim como tentativas de “deslegitimação de Israel” ligados à propagação do novo coronavírus.

O relatório compara velhas teorias antissemitas, que considera típicas da extrema-direita, com outras mais modernas, divulgadas por “autoridades iranianas e palestinianas, bem como por ativistas de extrema-esquerda”.

O coronavírus fornece uma ‘fonte de evidência’ para observar como os antissemitas clássicos da extrema-direita” e os novos usam “um elemento comum” e modos difamatórios semelhantes”, refere o estudo.

O principal motivo por trás desses discursos é a associação dos judeus e de Israel à pandemia, com a “difamação de que estão a usar ou a disseminar o vírus para obter ganhos políticos ou económicos”.

Entre os casos mencionados, indica que os soldados israelitas foram acusados pelos palestinianos de os infetarem “deliberadamente com a tosse”.

É preocupante descobrir que, mesmo numa crise global, há quem faça horas extraordinárias para incitar ao ódio contra o povo judeu”, declarou o ministro dos Assuntos Estratégicos, Guilda Erdan, que exortou os países em todo o mundo “a adotarem uma postura firme” contra isso, “especialmente agora”.

A pandemia de Covid-19, doença transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro em Wuhan (China), já provocou mais de 290.000 mortos e infetou mais de 4,2 milhões de pessoas em 195 países e territórios, segundo um balanço da agência France Presse.

Israel conta com cerca de 16.500 casos, incluindo 260 mortes.