Imagens e relatos de transporte públicos cheios esta quarta-feira em Londres de pessoas, muitas sem máscaras ou proteção para a cara, levaram um sindicato a criticar o governo britânico e a ameaçar com greve devido ao risco para os funcionários.

O secretário-geral do sindicato RMT, Mick Cash, acusou o governo de precipitar o regresso ao emprego de trabalhadores esta semana, em que os transportes estão com serviço reduzido a 15%, em vez de esperar pela próxima semana, quando a capacidade deverá aumentar para 70%.

“Teria sido mais fácil aguentar com um aumento de passageiros”, justificou, em declarações à estação Sky News.

Cash não afastou a possibilidade de greve se os trabalhadores dos transportes sentirem que não existe segurança no local de trabalho, exigindo equipamento de proteção.

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Esta queixa surge após ter sido revelado que morreram 52 trabalhadores do setor dos transportes infetados com o novo coronavírus, incluindo Belly Mujinga, de 47 anos, que desenvolveu sintomas após ter sido cuspida na cara quando trabalhava numa estação de comboios em Londres.

O primeiro-ministro, Boris Johnson, anunciou no domingo um plano para o levantamento faseado do confinamento decretado em 23 de março, com uma primeira etapa a partir desta quarta-feira que inclui o regresso ao trabalho de pessoas que não o possam fazer de casa.

Na falta de alternativa aos transportes públicos, o governo apelou às pessoas para que usem de máscaras ou proteções para a cara, mas não é obrigatório, e também sugeriu que se virem de costas e evitem o contacto físico quando os transportes estiverem congestionados.

O ministro dos Transportes, Grant Shapps, pediu para que as pessoas sejam “sensatas e não inundem os transportes”, vincando que tal põe em risco o plano para aliviar progressivamente o regime de confinamento.

“Se virmos o índice R [taxa de referência de contágio por cada pessoa infetada] voltar a subir, sobretudo acima de um, vamos ter de tomar providências. Todos sabemos o que isso significa, significa voltar a ficar em casa”, avisou, em entrevista à BBC Radio 4.

A partir desta quarta-feira, o governo britânico levantou também as restrições sobre o exercício e passeios ao ar livre e passou a autorizar o encontro com uma pessoa de fora do agregado familiar, desde que seja a dois metros de distância, e outras atividades desportivas, como ténis, pesca e golfe, mas apenas em Inglaterra.

Os governos autónomos da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte ainda não mudaram a mensagem geral para as pessoas ficarem em casa, embora tenham introduzido algumas alterações.

De acordo com a atualização dos dados feita esta quarta-feira pelo ministério da Saúde, o Reino Unido registou até agora 33.186 mortes resultantes da pandemia Covid-19, o balanço mais elevado na Europa e o segundo maior no mundo, atrás dos EUA.