A AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, com escritório em São Francisco, EUA, lançou o programa “Portugal to Take Off” para ajudar empresas portuguesas de base tecnológica a entrar no mercado da Califórnia.

O programa de aceleração terá uma duração de seis meses e vai selecionar dez startups portuguesas para terem acesso a consultoria especializada, a uma rede de empresários e investidores locais e a apoio por parte de pessoas da região.

Com as candidaturas a decorrerem em maio, a seleção será feita em junho e as atividades começarão no final desse mês, estando previstas duas viagens até à Califórnia em agosto e outubro.

A pandemia de Covid-19 levou à adaptação do programa, que já estava a ser preparado antes do confinamento, e poderá obrigar a adiar as viagens, visto que ainda não foi levantada a restrição de voos entre a Europa e os Estados Unidos.

O escritório da AICEP confirmou à Lusa que parte do programa é remoto para ser compatível com esta situação, sendo que a formação de entrada no mercado, a preparação da abordagem comercial e as reuniões individuais terão um formato virtual.

A agência identifica como focos de seleção para as startups os setores da tecnologia, produtos alimentares, moda, mobiliário e energias. A prioridade será dada a empresas com “um produto diferenciado que pode ser interessante para o mercado californiano”.

A ideia do organismo é que continua a haver espaço para oportunidades de empresas portuguesas que querem ir para os Estados Unidos e este programa de aceleração é uma nova forma de as apoiar.

“A AICEP tem apostado em lançar novos produtos e serviços especializados para as empresas”, disse o presidente da AICEP, Luís Castro Henriques, no comunicado de lançamento, “quer seja na identificação de clientes, quer seja no contacto com plataformas de comércio eletrónico, com foco na abertura de novos canais nos mercados externos, neste caso para a região da Califórnia”.

Apesar das graves consequências económicas que as medidas de mitigação da pandemia estão a ter nos Estados Unidos, onde o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 4,8% no primeiro trimestre e o desemprego disparou para 14,7% em maio, as características da região norte da Califórnia tornam propícia a entrada de startups com uma forte componente digital.

Empresas de software, colaboração e videoconferência sediadas em Silicon Valley, como a Slack e a Zoom, estão a registar um aumento significativo de utilizadores neste período, durante o qual uma parte das pessoas trabalha de forma remota.

Também as plataformas de redes sociais, como Facebook e YouTube, computação na nuvem, videojogos e telemedicina estão em crescimento, além de haver uma maior procura por equipamentos médicos, produtos de desinfeção e indústria alimentar, que também são fortes na região.

A AICEP já selecionou dois “executivos residentes” que serão mentores e vão acompanhar as startups escolhidas, sendo que estas terão também apoio de parceiros de incubação como universidades, centros de pesquisa e associações empresariais.

As candidaturas estão abertas até 29 de maio no site da agência para o investimento.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, impôs ordens de confinamento e encerramento temporário de negócios não essenciais a 19 de março, para conter a propagação do novo coronavírus.

A pandemia de Covid-19 provocou até ao momento mais de 73 mil casos de infeção e perto de três mil mortos no estado mais populoso do país, com perto de 40 milhões de habitantes.