O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevedo, anunciou esta quinta-feira que vai deixar o cargo no final de agosto, um ano antes de acabar o seu segundo mandato.

Azevedo, de 62 anos, vai deixar a liderança da OMC num momento crítico da organização por causa do bloqueio do seu principal mecanismo de resolução de conflitos, paralisado desde dezembro devido à recusa dos Estados Unidos em designar novos juízes.

Acresce que a decisão foi anunciada na mesma semana em que uma proposta foi submetida na Câmara dos Representantes do Congresso norte-americano para retirar os EUA dos Estados-membro da Organização Mundial do Comércio, entidade com 25 anos de história que enfrenta um período de convulsão interna, como nota o portal noticioso e especializado em políticas comerciais europeias Borderlex.

O diretor-geral da OMC afirmou, aquando deste anúncio de saída, que não tem ambições políticas e que a sua decisão de deixar as funções é pessoal e familiar.

Trata-se de uma decisão pessoal — uma decisão familiar — e estou convencido que esta decisão serve melhor os interesses da organização. Não tenho planos políticos”, declarou numa reunião por videoconferência com membros da OMC.

Diplomata de carreira, Roberto Azevedo assumiu a liderança da OMC em 2013 sucedendo ao francês Pascal Lamy e iniciou em setembro de 2017 um segundo mandato de quatro anos, que deveria terminar no final de agosto de 2021.

A saída do antigo diplomata brasileiro da Organização Mundial do Comércio levanta várias dúvidas sobre o futuro da organização, até porque habitualmente o procedimento de alteração de diretor-geral costuma ser iniciado nove meses antes de o diretor-geral em vigor cessar funções, como refere o Borderlex. Se o procedimento decorresse com o calendário habitualmente seguido, a OMC ficaria sem diretor-geral durante seis meses, entre agosto e fevereiro do próximo ano.

Para as convulsões na OMC, além da postura reticente da administração de Donald Trump face a uma organização que primou sempre pela tentativa de combate a políticas protecionistas, não contribui também o atual clima comercial, dado que é habitual em cenários de profunda crise económica e financeira, como se antevê para este ano, que os países tendam a procurar acordos comerciais unilaterais e a adotar políticas comerciais menos abertas.