Sete agências da Organização das Nações Unidas (ONU) apelaram quarta-feira a um cessar-fogo na Líbia para se travar a progressão da Covid-19, argumentando que a comunidade internacional “não pode deixar de ver o conflito”. No país norte-africano estão confirmados 64 casos de pessoas infetadas.

O apelo foi feito pelos respetivos dirigentes: Mark Lowcock (assistência humanitária), Filippo Grandi (refugiados), Tedros Adhanom Ghebreyesus (saúde), Henrietta Forre (crianças), Natalia Kanem (população), David Beasley (alimentação) e António Vitorino (migrações).

Na declaração conjunta, os responsáveis por estas agências da ONU adiantaram que os casos confirmados incluem três mortes, registadas em diferentes partes da Líbia, o que mostra, na sua opinião, que “o risco de agravamento do surto é muito elevado”.

Especificaram que o conflito está a ter “um efeito catastrófico nos civis, incluindo migrantes e refugiados, em todo o país” e apoiaram o apelo do secretário-geral da ONU, António Guterres, para um cessar-fogo global para conter a pandemia.

Segundo estes dirigentes, a situação para muitos migrantes e refugiados é “especialmente alarmante”, com mais de 3.200 pessoas intercetadas no mar desde janeiro a serem devolvidas à Líbia.

A ONU tem dito repetidamente que o país é inseguro e que os migrantes e refugiados não devem ser devolvidos a centros de detenção.

Muitos acabam em um dos 11 centros de detenção oficiais. Outros são levados para instalações ou centros de detenção não oficiais, onde a comunidade humanitária não tem acesso”, denunciaram.

Os dirigentes das agências dissera ainda que a ONU tinha verificado 113 casos de “violações graves” na Líbia no ano passado, incluindo a morte e ferimentos de crianças, bem como ataques a escolas e instalações de saúde.

Desde janeiro, detalharam, “pelo menos 15 ataques destruíram instalações de saúde e ambulâncias e feriram trabalhadores do setor da saúde”.

As últimas avaliações apuraram que, em resultado da propagação do novo coronavírus, muita cidades na Líbia “estão a enfrentar escassez de produtos alimentares básicos conjugada com um aumento de preços”.

Os dirigentes apelaram à continuação do apoio alimentar, acentuando que é essencial “para que esta crise sanitária não se deteriore, tornando-se numa crise alimentar”.

Por outro lado, também pediram a defesa dos fornecimentos de água, que consideraram vitais, que têm sido alvejados ou atacados de forma indiscriminada, notando que a água é crucial para medidas básicas de prevenção do vírus, como a lavagem de mãos.

Apontaram ainda que os grupos de apoio humanitários reportaram 851 incidentes, nos quais o seu pessoal e produtos de ajuda foram impedidos de entrar no país ou tiveram os seus movimentos constrangidos.