A polícia brasileira prendeu esta quinta-feira o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Paulo Melo, numa operação que investiga desvios em contratos na área da saúde.

Em comunicado, a Polícia Federal brasileira informou que em conjunto com o Ministério Público Federal realizou esta quinta-feira a operação “Favorito”, um desdobramento das operações Quinto de Ouro e Cadeia Velha, etapas anteriores da operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

O objetivo da ação realizada esta quinta-feira foi investigar um grupo liderado por empresários que, por meio do pagamento de vantagens indevidas a conselheiros do Tribunal de Contas do estado do Rio de Janeiro, deputados estaduais e outros agentes públicos, estaria há 10 anos a cometer crimes.

Os agentes da polícia disseram ter descoberto “elementos que apontam que o grupo criminoso alavancou seus negócios com contratações públicas”, realizadas por meio de várias empresas, entre cooperativas de trabalho e organizações sociais, criadas para permitir o branqueamento dos recursos públicos indevidamente desviados e disfarçar os repasses de subornos pagos para funcionários públicos do Rio de Janeiro envolvidos no alegado esquema ilícito.

“A investigação aponta que os atos de branqueamento de capitais também ocorrem no exterior, por meio da constituição de empresas e contas bancárias não declaradas à Receita Federal brasileira, bem como compra de imóveis em Miami”, lê-se no comunicado da Polícia Federal.

Os agentes da polícia brasileira também afirmaram que encontraram provas de que a mesma organização criminosa persistiu nas práticas delituosas, “inclusive se valendo da situação de calamidade ocasionada pela pandemia do coronavírus, que autoriza contratações emergenciais e sem licitação, para obter contratos milionários de forma ilícita com o poder público, além de atuar para destruição de provas”.

Nesta operação, cerca de 120 polícias federais cumpriram esta quinta-feira 42 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva nos estados brasileiros de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Os mandados foram expedidos pela 7.ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, em razão dos indícios da prática dos crimes de branqueamento de capital, organização criminosa, corrupção, peculato e evasão de divisas.