As unidades que fazem endoscopias e colonoscopias devem ter o pessoal organizado em equipas fixas a trabalhar por turnos e os exames a suspeitos ou doentes de Covid-19 feitos em salas próprias, com pressão negativa.

Numa norma publicada esta quinta-feira no “site”, a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a propósito da necessidade de reorganizar os serviços de saúde para retomar o normal funcionamento refere que as autoridades devem limitar a presença nas unidades de técnicas de gastroenterologia a profissionais de saúde e a doentes, sem familiares, para restringir o risco de contaminação.

A DGS recorda que a Covid-19 “apresenta sintomatologia do aparelho digestivo até cerca de 50% dos casos, como diarreia, anorexia, náuseas, vómitos e dor abdominal”, que cerca de 15 a 50% dos casos podem revelar alteração das provas hepáticas” e que o vírus SARS-CoV-2 “tem sido identificado nas fezes, pelo que existe possibilidade de transmissão fecal-oral”.

Uma vez que a realização de exames endoscópicos do tubo digestivo tem um risco de contaminação elevado, a DGS recomenda um forte investimento no cumprimento das medidas de prevenção e controlo da infeção, em especial o uso de equipamentos de proteção individual adequados pelos profissionais de saúde e a máscara em todos os doentes, que só deve ser tirada durante o exame.

Adianta que as unidades devem reorganizar-se e caracterizar os exames a realizar como urgentes, prioritários ou programados e que os exames, colonoscopias e endoscopias, no caso dos doentes com suspeita ou Covid-19 confirmada devem ser analisadas caso a caso, baseado no risco-benefício.

Deve haver salas dedicadas para a realização de procedimentos endoscópicos e recobro para doentes com suspeita ou confirmação de Covid-19, com pressão negativa, e os equipamentos e consumíveis necessários devem ficar adstritos a essa sala de forma permanente.

Todos os doentes, quer os de internamento quer os de ambulatório, devem ser alvo de triagem prévia relativamente ao risco de Covid-19 com recurso a consulta telefónica na véspera e no dia do exame, antes da admissão no serviço. Os doentes com sintomas devem ser testados e os exames realizados apenas em situação de “urgência imperiosa”. “No atual contexto epidemiológico em Portugal com transmissão comunitária sustentada, todos os doentes são considerados de alto risco”, reforça a DGS.

A norma indica ainda que os serviços de saúde devem assegurar o treino contínuo dos profissionais de saúde relativamente à utilização de equipamentos de proteção individual, bem como os procedimentos a observar em situações de exposição acidental a produtos biológicos potencialmente infetados com SARS-CoV-2.

Define ainda que a sala de pressão negativa só pode ser novamente utilizada depois de um período de 30 minutos e as restantes apenas após um intervalo de uma hora. As salas onde se realizam os exames devem ser desinfetadas, assim como todas as superfícies de contacto, e as janelas abertas por 15 minutos, especifica a orientação.

Os últimos dados oficiais indicam que Portugal regista 1.175 mortes relacionadas com a Covid-19 e 28.132 casos de infeção.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 294 mil mortos e infetou mais de 4,3 milhões de pessoas em todo o mundo. Mais de 1,4 milhões de doentes foram considerados curados pelas autoridades de saúde.