Rui Rio tem assistido na primeira fila à crise política que implodiu no Governo, entre Mário Centeno e António Costa. Foi o primeiro a pedir a pedir a demissão do ministro das Finanças, uma vez que provou “falta de lealdade” perante o primeiro-ministro e uma vez que foi criticado publicamente pelo próprio Presidente da República, e agora, perante a manutenção de Centeno no cargo (ainda que a prazo), continua a dizer que isso não invalida que tenha deixado de ter condições para estar no Governo.

“Mário Centeno não passou a ter condições para continuar. O primeiro-ministro é que assumiu que no seu Governo, ainda que sem condições, um ministro pode continuar a sê-lo mesmo quando faltam mais de três longos anos para o fim da legislatura…ou quando a força do ministro é superior à do primeiro-ministro”, escreveu o líder do PSD no Twitter.

As fragilidades do Governo são para explorar, até porque está nos planos de Rio que a legislatura não dure até ao fim. E a fragilidade de Mário Centeno, que ficou no governo preso por um fio, não é para largar. Rui Rio diz assim que o ministro ficou no Governo com a perceção pública assumida de que não tem condições para lá estar. Ou seja, ficou por uma questão de braço de ferro ou por interesses particulares.

Esta quinta-feira, foi tornado público que o Presidente da República ligou ao ministro das Finanças por causa das declarações feitas ontem na visita à Autoeuropa, dizendo que foram “um equívoco”. Um equívoco que, no entanto, motivou uma reunião noite dentro entre Centeno e Costa, em São Bento, para decidir a continuidade ou não do ministro das Finnaças. Para já, fica, pelo menos até terminar as negociações do plano europeu de resposta à crise.