“Há ali atrás uma coisa a dizer ‘residência oficial do primeiro-ministro’”. Foi o argumento usado por Rui Rio para, depois de se ter reunido com António Costa, recusar falar sobre a episódio Mário Centeno. Na casa do adversário “não é educado”, disse, assumindo, no entanto, que aí há uma “divergência” com o chefe do Governo, ao contrário da “convergência” que há sobre o combate à pandemia. Já Catarina Martins, do BE, não teve esse pudor e deixou ali, naquele mesmo palco de São Bento, não só as críticas à injeção no Novo Banco como a certeza de que este ministro não passa de junho.

“Tanto quanto me é dado a perceber, Mário Centeno irá fazer o orçamento suplementar e será esse o compromisso que tem”, disse quando foi questionada pelos jornalistas, à saída da reunião com Costa, se o ministro ia manter-se no cargo por muito mais tempo. A interpretação da líder do BE, que acabara de reunir-se com primeiro-ministro, é que Centeno fica até junho, momento em que Costa já disse que será apresentado o Orçamento suplementar (o retificativo do atual Orçamento, tendo em conta que a pandemia apareceu depois de este ser aprovado). Quanto ao resto, remeteu para o primeiro-ministro.

Ao mesmo tempo, o ministro em causa estava de novo no Parlamento, a defender o Programa de Estabilidade entregue em Bruxelas. E mesmo ali ao lado, no palacete de São Bento, desfilavam sobretudo críticas ao episódio que tomou conta dos últimos dias, com o ministro a aprovar uma injeção de 850 milhões de euros no Novo Banco — e que constava no Orçamento do Estado para 2020 — tendo ficado claro que não falou com o primeiro-ministro sobre o assunto. E que este defendia — como defendeu publicamente — que se aguardasse pela auditoria independente antes de se fazerem novas transferências.

Ministro sai em defesa do Novo Banco, mas ignora o Centeno na sala e não esclarece se está a prazo

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.