Ainda não fez um ano. A 19 de maio do ano passado, no último jogo da época que a Juventus disputou em casa e já com o oitavo título consecutivo garantido, Andrea Barzagli despediu-se dos relvados. Foi titular no encontro que acabou empatado contra a Atalanta e foi substituído já na segunda parte, por Mandzukic, numa alteração feita propositadamente para que o Allianz Arena se levantasse para aplaudir o central de 38 anos. Em lágrimas, Barzagli vestiu pela última vez a camisola do clube que representava desde 2011 e terminou a carreira numa altura em que já era mais importante no balneário do que propriamente dentro de campo.

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No final do jogo, o defesa italiano, que em conjunto com Chiellini e Bonucci fez parte de um dos conjuntos de centrais mais duros dos últimos anos, não se mostrou totalmente decidido quanto àquilo que queria fazer no futuro. “Ainda não sei o que vou fazer. Vou estudar e decidir. Acho que não vou aceitar qualquer cargo”, atirou Barzagli, excluindo desde logo a hipótese de integrar, de alguma forma, a estrutura da Juventus. O que os meses seguintes trouxeram, porém, acabou por ajudar Pavel Nedved, Fabio Paratici e Andrea Agnelli, a tríplice entente do futebol bianconeri, a convencer o antigo central de que era então mais necessário do que nunca.

Dois dias antes de Barzagli se despedir dos relvados em pleno Allianz Arena, a Juventus havia anunciado que Massimiliamo Allegri iria sair do comando técnico da equipa do final da temporada. O substituto só foi confirmado cerca de um mês depois: Maurizio Sarri deixava o Chelsea para treinar Cristiano Ronaldo e companhia em Turim. E Nedved, Paratici e Agnelli precisavam de uma ponte sólida entre plantel e equipa técnica, entre jogadores e treinador, entre direção e staff. Essa ponte, o homem certo para ajudar na integração de Sarri e na adaptação do treinador italiano à Juventus, era Barzagli. E o recém-reformado jogador acabou por aceitar a posição de assistente técnico na equipa do recém-chegado treinador.

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Ho deciso di fare una scelta di vita. È stata una scelta di cuore! Non per questo non sofferta. Ma sentivo l’esigenza di vivere maggiormente la mia famiglia che, silenziosamente in tutti questi anni, ha appoggiato e accompagnato le mie scelte professionali. Ho scelto di privilegiare, oggi, una famiglia a dispetto di un’altra, la Juventus, a cui sarò sempre legato ed eternamente grato. Ma era giusto scegliere. Il mio pensiero corre a chi mi ha dimostrato sempre la massima stima e la totale vicinanza professionale e umana. Il Presidente, il mister, Fabio e Pavel. Figure che hanno contribuito alla mia crescita e che con discrezione e amicizia hanno camminato al mio fianco. I GRAZIE sarebbero tantissimi. I compagni, i tifosi, i professionisti che lavorano ogni giorno per rendere la Juventus ciò che è! Riassumo tutto in un grande e gigantesco: #finoallafine forza @juventus! Sempre vostro, Andrea!

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Cerca de um ano depois, com a Serie A interrompida e a Juventus a liderar com apenas mais um ponto do que a Lazio, o pai de família Andrea acabou por derrotar de vez o treinador Barzagli. Esta quinta-feira, o ex-internacional italiano anunciou que vai deixar a equipa técnica de Maurizio Sarri para passar mais tempo junto da família. “Tomei uma decisão de estilo de vida. Uma decisão tomada com o coração. Uma decisão que me faz sofrer. Sentia a necessidade de viver mais com a minha família que, de forma silenciosa, me acompanhou e me apoiou nas minhas decisões profissionais. Hoje, decidi privilegiar uma família mais do que a outra, a Juventus, à qual sempre estarei agradecido”, escreveu Barzagli no Instagram. Na mesma publicação, o antigo jogador agradeceu ainda a Nedved, Paratici e Agnelli, assim como a Maurizio Sarri, “figuras que contribuíram” para o seu “crescimento”.

Um ano depois de ter aceitado desempenhar um papel importante no projeto da Juventus para esta temporada, Barzagli decidiu honrar aquilo que tinha dito depois do último jogo da carreira e vai “estudar e decidir”. Pelo meio, casado e com dois filhos, vai passar mais tempo com a família que, “de forma silenciosa”, o “acompanhou e apoiou” — e deixa a família que veste de preto e branco e o recebeu durante nove anos.