O FBI revelou por engano o nome de um cidadão saudita, funcionário da embaixada da Arábia Saudita nos EUA, alegadamente envolvido no apoio aos terroristas responsáveis pelos ataques do 11 de Setembro contra as Torres Gémeas e o Pentágono, noticiou esta semana o Yahoo News.

O facto de 15 dos 19 sequestradores envolvidos no atentado serem cidadãos sauditas deu força à teoria de que a Arábia Saudita esteve ligada ao ataque, protegendo a al-Qaeda e facilitando a operação. Porém, o regime saudita sempre negou qualquer relação com o atentado, cuja autoria moral foi atribuída a Osama bin Laden que era saudita.

Neste momento, corre ainda na justiça norte-americana um processo movido pelos familiares das vítimas contra o regime saudita para exigir compensações pelo envolvimento no ataque. A divulgação do nome do diplomata vem dar mais esperança às famílias das vítimas, mas aprofunda o mistério à volta dos motivos pelos quais o governo de Donald Trump quis manter a identidade do homem em segredo.

De acordo com o Yahoo News, o nome do diplomata surgiu numa resposta do FBI no âmbito do processo movido pelas famílias — só que o documento, por engano, não foi classificado como secreto. A divulgação, ainda que inadvertida, do nome do homem está a ser vista como a confirmação definitiva de que o FBI encontrou efetivamente uma ligação entre a embaixada da Arábia Saudita e o ataque às Torres Gémeas.

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Nos últimos meses, a administração Trump tem-se multiplicado em esforços para que o nome do diplomata fosse mantido em segredo, o que levou os advogados das vítimas a acusar o Presidente dos EUA — que tem fomentado uma relação de maior proximidade com a Arábia Saudita — de encobrir o envolvimento saudita no atentado.

O Yahoo News nota inclusivamente a ironia desta situação em específico: o documento em que o nome surge tinha como objetivo sustentar a decisão do procurador-geral dos EUA, William Barr, e do governo norte-americano de proibir a divulgação do nome.

Inicialmente, a investigação às ligações entre a Arábia Saudita e o 11 de Setembro focou-se em dois cidadãos sauditas: Fahad al-Thumairy, um clérigo que era imã de uma mesquita em Los Angeles e que estava ligado ao departamento de assuntos islâmicos da Arábia Saudita; e Omar al-Bayoumi, um alegado agente governamental saudita que tinha apoiado logisticamente dois terroristas envolvidos no avião que embateu contra o Pentágono.

Nesse relatório do FBI é mencionada a existência de um terceiro saudita, que teria contactado aqueles dois e para lhes transmitir as tarefas. É esse homem que agora é identificado como Mussaed Ahmed al-Jarrah, um diplomata do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita que tinha como principal missão a supervisão das atividades das mesquitas financiadas pelo regime saudita nos Estados Unidos.

Uma agente do FBI envolvida na investigação considerou que aquele diplomata dava apoio aos outros cidadãos sauditas, designadamente ao clérigo Fahad al-Thumairy, durante a investigação feita pelas autoridades norte-americanas ao atentado — o que leva à suspeição de que, através da embaixada, a Arábia Saudita tenha estado diretamente envolvida no apoio aos terroristas.

Depois de o Yahoo News ter contactado o FBI para que comentasse a divulgação do nome de Jarrah, o documento foi eliminado da base de dados da justiça norte-americana com a simples justificação de que havia sido “submetido incorretamente“.