O Congresso do Partido Socialista, inicialmente agendado para maio deste ano, só deverá acontecer depois das eleições presidenciais, que estão agendadas para janeiro do próximo ano. A notícia é dada pelo jornal Público.

Ao diário, o presidente dos socialistas, Carlos César, vincou que “a situação pandémica obriga necessariamente a adaptação” e acrescentou: “Não teremos, certamente, as melhores condições para desenvolver o congresso este ano. Penso que poderá realizar-se no primeiro trimestre de 2021, na mesma em Portimão”.

Realizá-lo ainda este ano, no último trimestre — em outubro, novembro ou dezembro, os três meses que antecedem as eleições presidenciais —, seria uma possibilidade, mas Carlos César descarta-a: resultaria “em prejuízo quanto à participação” e transformaria o congresso “num debate sobre presidenciais”. Ora isso não é desejável, entende: “O congresso deverá discutir o país que estamos a construir, e não uma personalidade“, apontou ainda, em declarações ao jornal Público.

A notícia surge três dias depois de um momento surpreendente em que, numa visita à fábrica da Autoeuropa, em Palmela, o primeiro-ministro e secretário-geral do PS António Costa lançou o desafio ao Presidente da República para a recandidatura a um segundo mandato, parecendo sugerir desde já apoio a Marcelo Rebelo de Sousa.

[“Cá estarei”. O desafio de Costa e a resposta de Marcelo para a recandidatura a Belém:]

O desafio lançado por António Costa durante a visita, a que o Presidente da República respondeu afirmativamente no momento, apanhou Marcelo Rebelo de Sousa de surpresa e não caiu bem em Belém, onde foi visto como uma declaração para “obter ganhos políticos” que deixou o Presidente “estupefacto” e “desconfortável”, como escreveu o Observador esta quarta-feira.

Não foi apenas Marcelo Rebelo de Sousa que foi apanhado desprevenido, mas também boa parte do Partido Socialista. Esta sexta-feira, Francisco Assis, antigo eurodeputado do PS e antigo candidato à liderança dos socialistas, deixou algumas críticas em entrevista ao Observador, notando que “ninguém está acima da legalidade partidária”, nem António Costa. “Há um tempo, um lugar e um modo para discutir essa questão”, referiu ainda, vincando que se num Congresso do PS o secretário-geral dissesse que “quer apoiar a, b ou c” o partido seguiria quase garantidamente “a proposta do secretário-geral”. E acrescentou que seria importante que nas próximas Presidenciais “surgisse um candidato da área da esquerda democrática”.

Francisco Assis sobre apoio a Marcelo: “António Costa não está acima da legalidade partidária no PS”

Uma das possibilidades já ventiladas para candidata presidencial apoiada pelo PS, numa corrida contra Marcelo Rebelo de Sousa, é a antiga eurodeputada Ana Gomes. Porém, a socialista, que Francisco Assis lançou publicamente como solução válida, chegou a dizer no início do ano que António Costa “jamais permitirá” uma candidatura sua à Presidência da República apoiada pelo PS. Mais recentemente, em março, Ana Gomes vincou a importância de o PS apoiar um candidato da sua área política com capacidade de mobilizar o eleitorado, acrescentando que “Mário Soares daria uma volta ao túmulo se o PS deixasse Marcelo ultrapassar os 70%”.