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Será Quentin Dupieux obcecado com objetos? Ou serão os objetos uma abstração do real e um ponto de partida para a comédia? Em “100% Camurça”, filme que chegou quinta-feira, 14 de maio, ao Filmin e às plataformas VOD dos operadores de cabo, a inclinação é para a segunda. Mas há obsessão, claro. Mas não foi a obsessão que fez “Rubber – Pneu” (2010) uma das mais originais reinvenções do cinema de terror/fantasia da década passada. Foi a vontade de misturar as coisas, cruzar géneros e pontos de vista. Misturar o verdadeiro com aquilo que é real.

Em “100% Camurça” há um protagonista, Georges (Jean Dujardin), que começa a sua aventura pagando uma fortuna por um casaco de camurça. É o início de uma transformação – e obsessão – com a camurça, em que cada nova peça de vestuário que veste é uma camada da mentira que está a viver: para fugir à sua vida do passado, Georges finge ser realizador, convence Denise (Adèle Haenel) a trabalhar consigo e entra-se no jogo de não saber quem está mais fora da realidade: se ele ou se ela. “100% Camurça” é uma comédia que joga com o terror e a trapaça de um assassino em série. É como se Jacques Tati tivesse descoberto o sangue e justificasse a violência enquanto comédia. É um regalo.

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