Um estudo divulgado no início de maio na publicação Cell mostra que os anticorpos presentes no sangue dos lamas podem ser uma defesa contra o novo coronavírus. A esperança que deriva deste estudo, esclarecem  os autores ao The Guardian, é que os anticorpos possam ajudar a proteger os humanos que ainda não foram infetados.

Pode parecer estranho existirem estudos sobre os lamas, mas a verdade é que isso já aconteceu várias vezes no passado. Na última década, por exemplo, os anticorpos do lamas foram usados para combater o VIH, vírus que causa Sida, mas também surgiram em estudos relacionados com a gripe.

No centro da investigação está uma lama de quatro anos chamada Winter, cujos anticorpos já mostraram ser capazes de combater os vírus SARS e MERS, pelo que os investigadores pensam agora que este trunfo possa ser usado contra o novo coronavírus que causa a doença Covid-19. Atualmente, estão a trabalhar no sentido de conseguirem fazer ensaios clínicos. “Se funcionar, a lama Winter merece uma estátua”, disse ao The New York Times Xavier Saelens, virologista da Universidade de Gante, na Bélgica, e autor do estudo.

Em 2016 os investigadores injetaram Winter com proteínas dos vírus SARS, que causou a epidemia entre 2002 e 2003, e MERS. Embora não tivessem conseguido isolar um único anticorpo capaz de fazer frente a ambos os vírus, encontraram dois anticorpos potentes para cada um deles.

Os investigadores estavam a escrever as respetivas descobertas quando, em janeiro último, o novo coronavírus começou a ser amplamente noticiado. Assim, calcularam que os pequenos anticorpos dos lamas “que podiam neutralizar o vírus SARS poderiam, muito provavelmente, também reconhecer o vírus da Covid-19”, segundo disse Sealens ao NYT. Descobriram, então, que esses anticorpos eram pelo menos eficazes contra as culturas celulares.

A esperança é que os anticorpos possam ser usados enquanto tratamento profilático, isto é, injetar alguém que não está infetado de modo a proteger essa pessoa do vírus. Mas se a proteção contra o tratamento seria imediata, já os seus efeitos não seriam permanentes, sendo precisas, ao fim de um a dois meses, mais injeções. Agora, a intenção é chegar à fase dos ensaios clínicos.