Dos 2.536 lares em Portugal Continental, 315 registam casos de Covid-19 (12%). Há cerca de 2.000 utentes infetados, 10% dos quais em internamento, e 998 dos cerca de 14.000 funcionários testaram positivo para o novo coronavírus — 400 aguardam resultados e 720 estão em isolamento profilático. Ao mesmo tempo que António Lacerda Sales anunciava os resultados dos testes efetuados nos lares, também conhecidos como ERPI, apresentando uma situação que diz estar “estável”, Graça Freitas assegurava que não há data prevista para a reabertura dos centros de dia. “Temos falado muito em separação de circuitos, mas pode não haver pessoal suficiente” ou devidamente preparado, afirmou a diretora-geral da saúde.

Esta segunda-feira, na habitual conferência de imprensa, o secretário de Estado da Saúde disse que 22% dos casos até hoje confirmados já estão curados e que uma das grandes preocupações remete para os profissionais de saúde e respetivos materiais de proteção. De momento, existem seis empresas certificadas para a acreditação de material. O IPAC, contudo, está a trabalhar para aumentar este número de entidades.

Rui Santos, presidente do Infarmed, convidado na conferência de imprensa desta segunda-feira, reiterou que a principal preocupação é que os equipamentos a serem usados “disponham de garantias de segurança e de desempenho”, pelo que existe uma articulação entre Infarmed, ASAE e alfândegas que permite fazer inspeções ao mercado, bem como um conjunto de laboratórios encarregues da certificação. “Há aqui um processo integrado de colaboração de todas as entidades que permite assegurar que os produtos que chegam ao nosso mercado são conformes”, disse. Caso contrário, garantiu, são tomadas as medidas necessárias como retirar o produto do mercado. Já aconteceu não permitir a entrada de determinados materiais.

Ajuntamentos? “Não se devem verificar, ponto”

No dia que marca o arranque da segunda fase de desconfinamento, António Lacerda Sales mostrou-se otimista e disse que continua a confiar no “no civismo do povo português”. Já Graça Freitas foi mais intransigente ao afirmar que não se devem verificar ajuntamentos como aqueles que este fim de semana ocorreram na zona de Gaia.

Relativamente aos ajuntamentos, não se devem verificar, ponto. Com ou sem máscaras”, afirmou a diretora-geral da Saúde. “O distanciamento físico é a principal medida para evitar a propagação do vírus. Se houver uma densidade populacional grande num sítio, convém evitá-lo. Não há outra receita para os ajuntamentos.”

Conselhos semelhantes aplicam-se ao Algarve, que pode vir receber mais turistas durante os meses de verão. Graça Freitas constatou que o Algarve foi uma região do país com uma “situação epidemiológica relativamente favorável”, aparentemente controlada, e que esse é “um ganho que não se pode perder”. “Acho mais prudente não aligeirar [as medidas de desconfinamento]. Quem visita o Algarve ou vive no Algarve deve evitar ao máximo os contágios”, disse ainda Graça Freitas, referindo-se ao receio de uma segunda onda.

OMS sem provas de contágio da Covid-19 através de objetos recomenda manter desinfeção frequente

Relativamente ao estudo da OMS que sugere que a transmissão do vírus através das superfícies possa ser “mais difícil”, Graça Freitas assegurou que este “não é um assunto encerrado”. “A OMS continua a recomendar a desinfeção e a limpeza dessas superfícies. Vamos continua a acompanhar, a OMS também. Se assim for, obviamente é uma boa notícia porque permitirá um regresso à vida normal com mais à vontade do que agora.”