A cerimónia fúnebre do embaixador José Cutileiro, que morreu no domingo, aos 85 anos, vai realizar-se na quarta-feira, em Bruxelas, capital belga, onde vivia há alguns anos, disse à Lusa a sua mulher.

Myriam Sochacki adiantou que o corpo será cremado às 13h15 (hora de Lisboa), numa cerimónia restrita, dadas as imposições decorrentes da pandemia de Covid-19, e que o embaixador de Portugal junto da União Europeia, Nuno Brito, proferirá “algumas palavras”.

A pedido de José Cutileiro, ouvir-se-á a versão para piano da “Marcha Fúnebre de uma Marioneta”, do compositor francês Charles Gounod.

Em momento posterior, após a abertura das fronteiras europeias, será feita em Portugal uma cerimónia de homenagem “com todos os amigos” do diplomata, antropólogo, escritor e cronista, adiantou Myriam Sochacki.

José Cutileiro entrou para a carreira diplomática em 1974, a convite de Mário Soares, como adido cultural na embaixada de Portugal em Londres, e exerceu numerosos cargos internacionais, entre os quais o de secretário-geral da União da Europa Ocidental (UEO), depois de ter presidido à conferência de paz para a ex-Jugoslávia (1992).

Nascido em Évora, em 20 de novembro de 1934, inicia o curso de Arquitetura, depois de Medicina, mas acaba por abandonar os estudos e mudar-se para Inglaterra, onde se licencia em Antropologia Social pela Universidade de Oxford.

É no Reino Unido que faz o doutoramento na London School of Economics (1971-1974), com a tese que resultou no livro “Ricos e pobres no Alentejo”, obra de referência na antropologia portuguesa. É depois convidado a lecionar na prestigiada universidade britânica.

Com a revolução do 25 de Abril, inicia a sua carreira diplomática, que o faz passar por Moçambique, África do Sul e o Conselho da Europa.

Em 1987 volta a Lisboa para assumir a Direção-Geral de Negócios Político-Económicos, negociando, nessa qualidade, a adesão de Portugal à UEO, de que viria a ser secretário-geral entre 1994-1999.

Em 1992, foi coordenador da conferência de paz para a ex-Jugoslávia e tornou-se num especialista em Balcãs, tendo sido nomeado, em 2001, Representante Especial da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas para a Bósnia-Herzegovina e a República Federal da Jugoslávia.

Ao longo dos anos, foi chamado a participar como conselheiro em presidências portuguesas da União Europeia (UE) e, em 2005, foi conselheiro político especial do presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso.

Como escritor, publicou mais de uma dezena de obras, e foi, até morrer, assíduo cronista na imprensa, designadamente no jornal Expresso, e comentador de política internacional, na TSF.