Há cerca de um ano, a Federação Internacional do Automóvel (FIA), através do seu presidente Jean Todt, anunciou o desejo de tornar a categoria rainha do desporto automóvel ainda mais amiga do ambiente. Depois da introdução dos motores híbridos em 2014, que incrementaram a potência para cerca de 1000 cv e reduziram o consumo de cerca de 75 litros/100 km, para cerca de 50 litros l/100 km hoje, a FIA prepara-se para dar mais um corte nas emissões emitidas pelos motores dos Fórmula 1.

É bom recordar que os F1 actuais podem transportar até 105 kg de combustível, com um peso específico aproximado de 775 g/litro, ou seja, cerca de 142 litros, dependendo da temperatura. Isto leva a um consumo de 46 l/100 km numa prova como a de Monza, uma das mais rápidas, durante a qual se percorrem 306 km em um pouco menos de duas horas. Mas apesar do consumo médio mencionado, os 1.6 V6 turbo têm a capacidade de queimar combustível até um débito de 100 kg/hora, ou seja, 129 litros por hora, o que é obra!

Depois de 12 meses a investigar e a desenvolver uma gasolina neutra em carbono, ou seja, um combustível sintético que não deriva do petróleo, sendo antes produzida artificialmente pelo homem com carbono retirado da atmosfera, a FIA está satisfeita com os resultados alcançados. A ponto de anunciar que, dentro de três anos, em 2023, poderá ser usada nos motores de F1.

O responsável pela pesquisa ao serviço da FIA, Gilles Simon, que já trabalhou para equipas como a Peugeot e a Ferrari, aposta em duas soluções em simultâneo para atingir os objectivos traçados por Todt, porque o tempo não abunda e o dinheiro não é um problema.

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Em cima da mesa estão dois tipos de gasolina sintética. Uma é produzida como se tratasse de um biocombustível, fabricado a partir dos lixos, e a outra parece mais prometedora pois captura dióxido de carbono da atmosfera, para lhe retirar o carbono, que depois junta ao hidrogénio retirado da atmosfera, de forma a “construir” a gasolina, essencialmente uma molécula de hidrogénio e carbono.

Uma vez queimada pelo motor, esta gasolina sintética devolve o carbono à atmosfera, na mesma quantidade que antes foi retirada, o que a torna neutra em carbono, ou seja, não emitindo um grama adicional de CO2. De caminho, como é 100% sintética, emite igualmente zero partículas, zero NOx e zero enxofre, tornando a F1 muito mais amiga do ambiente.

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Antes de 2023, quando é esperada a estreia do novo combustível, a FIA deverá obrigar a que os carros comecem a queimar gasolina com 20% de origem em biomassa já a partir de 2022. Será um (modesto) primeiro passo, que adquire outros contornos se pensarmos que, durante toda a época, as equipas consomem cerca de 1 milhão de litros de combustível.

Com os novos combustíveis, a FIA espera evitar ser crucificada pela opinião pública por promover uma disciplina terrivelmente poluente, sobretudo numa fase em que a Fórmula E já alimenta os geradores que produzem a energia para alimentar as baterias dos fórmulas eléctricos com Aquafuel, um tipo de glicerina que não é fóssil nem polui (excepto nos primeiros 5 minutos, em que os geradores têm de trabalhar a gasóleo).