O parlamento timorense foi esta terça-feira pelo segundo dia consecutivo marcado por gritos e empurrões, com deputados do CNRT a virarem ao contrário a mesa do presidente do órgão, tendo sido necessário reforço policial para manter a ordem.

Deputados do CNRT viraram a mesa do Parlamento Nacional timorense em protesto quando a vice-presidente do órgão Angelina Sarmento tentou iniciar uma sessão plenária para debate do pedido de destituição do presidente parlamentar. Um utilizador partilhou um vídeo do momento de tensão no Facebook.

Deputadu sira baku fila,meza parlamentu nian iha uma fukun parlamentu nasional no tuda malu lori kadeira….

Posted by Efran Colo on Monday, May 18, 2020

A tensão começou quando a a vice-presidente do parlamento tentou ocupar a zona da mesa para abrir o plenário, considerando ter legitimidade para o fazer pelo facto do presidente do orgão, Arão Noé Amaral, não ter convocado o plenário. Vários deputados convergiram na zona da mesa do parlamento, com deputados do CNRT a virarem a mesa de Arão Noé Amaral (do mesmo partido) para impedir o início do plenário.

Num cenário de gritos e empurrões, com deputados de vários partidos a subirem à zona da mesa, agentes da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) acabaram por ocupar a zona da mesa.

Angelina Sarmento, por seu lado, fico sentada na parte inferior da zona central do parlamento — no espaço normalmente usado pelo governo, quando há debates com o executivo. Rodeada de efetivos de segurança, Angelina Sarmento tentou, por várias vezes, iniciar a sessão, recorrendo a um microfone e coluna portátil para assim tentar contornar o facto do sistema de som do plenário não ter sido ligado.

Numa troca de gritos, deputados do CNRT acusaram as bancadas da maioria — Fretilin, PLP e KHUNTO — de tentarem fazer um assalto ao poder, ultrapassando as competências dos vice-presidentes e saltando por cima da decisão do presidente Arão Noé Amaral não convocar o plenário.

As bancadas da maioria, por seu lado, acusam os deputados do CNRT de vandalismo e Arão Noé Amaral de abuso de poder ao recusar-se a agendar o debate sobre a sua destituição.

Esta é a terceira semana sem sessões plenárias no parlamento.

Tensão no parlamento timorense com empurrões entre deputados

Maioria de deputados elege novo presidente do parlamento timorense em votação irregular

Uma maioria de 40 deputados elegeu esta terça-feira Aniceto Guterres, da Fretilin, numa votação irregular, como novo presidente do Parlamento Nacional timorense, numa sessão plenária convocada pelos vice-presidentes do órgão.

A votação, que ficou marcada pela terceira intervenção de agentes policiais, ocorreu depois do presidente Arão Noé Amaral ter sido destituído do cargo com deputados do CNRT a gritar: “ilegal” e “assalto ao poder”. A maioria acabou por concretizar o objetivo de substituir o presidente do parlamento.

A eleição de Aniceto Guterres, com os votos favoráveis dos deputados da Fretilin, PLP, KHUNTO e de quatro dos cinco deputados do PD, implica o regresso ao cargo que ocupou em 2017 e 2018, até à dissolução do parlamento nesse ano.

À saída do parlamento, em declarações à Lusa, Aniceto Guterres chamou a si a legitimidade “de um apoio de 40 dos 65 deputados”. Questionado sobre a legalidade da eleição, Aniceto Guterres disse que foi legal e legítima e que se o CNRT e o presidente do parlamento Arão Amaral não concordarem que recorram à justiça. Aniceto Guterres acrescentou que a primeira ação como presidente vai ser convocar para quinta-feira uma conferência de líderes das bancadas “para pôr o parlamento a funcionar”.