Mais do que qualquer outro, desconfinar tem tudo para ser o verbo deste verão. Num período de férias por excelência, vários países europeus preparam já a reabertura de fronteiras, muitos deles no intuito de retomar uma das principais alavancas das suas economias, o turismo.

Entre fazer férias cá dentro e voar até ao outro lado do mundo, escolher um destino para uma escapadinha dentro da Europa parece ser uma opção de risco moderado. Da paisagem da Islândia que, durante o verão, surge pintada de verde às águas cristalinas das ilhas gregas, os mais afoitos têm um catálogo para explorar. Em alguns destinos, no entanto, não vão conseguir fugir à quarentena obrigatória.

Na última segunda-feira, a Europa debateu o levantamento das restrições a viagens internacionais. Em Portugal, o Governo já demonstrou vontade de reativar o setor do turismo o quanto antes. A maioria dos hotéis já está pronta para reabrir portas no arranque de junho.

Itália

Com a abertura de fronteiras marcada para o dia 3 de junho, mas só para cidadãos da União Europeia, a Itália procura iniciar a recuperação do rude golpe económico desferido pelo novo coronavírus. Para fomentar o turismo, o país irá reabrir sem impor uma quarentena obrigatória para todos os que aterram. Luigi Di Maio, ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, põe para já de parte a hipótese de chegar a acordo com países fora da UE, contudo já assinalou que, a partir do início do próximo mês, será também possível circular livremente entre as várias regiões do país, que na última semana começou a reabrir museus, monumentos, lojas, restaurantes e cafés. Entretanto, em Veneza, as gôndolas já circulam.

Grécia

O anuncio chegou esta quarta-feira — a Grécia prepara-se para reativar o setor do turismo a partir do dia 15 de junho. Em risco de enfrentar a maior recessão dos 27, a economia do país depende em cerca de 25% do turismo, responsável por empregar um em cada quatro gregos. Na última semana, as praias reabriram seguindo novos esquemas de organização e as viagens entre algumas ilhas e regiões voltaram a ser permitidas, incluindo Creta. Atrações arqueológica também já estão a funcionar. Para o início da próxima semana está marcada a reabertura de restaurantes, bares e cafés. Hotéis devem reabrir a 1 de junho.

No caso específico das praias, a fruição destes espaços está, neste momento, limitada a um máximo de 40 pessoas por 1.000 metros quadrados. Chapéus devem ser colocados a, pelo menos, quatro metros uns dos outros. As coimas pelo incumprimento destas medidas podem chegar aos 1.000 euros. Os bares e esplanadas estão proibidos de pôr música, vender bebidas alcoólicas e ou promover qualquer tipo de atividade recreativa.

Drone View Of Crowded Beach During Covid-19 Easing Measures Era In Greece

Com 35 graus, foi esta a imagem aérea da praia de Potamos, em Epanomi, Grécia, no último sábado © Nicolas Economou/NurPhoto via Getty Images

Quanto a datas para reabrir fronteiras, esperam-se novidades ainda esta semana, com o dia 1 de julho a ser agora apontado como o prazo máximo para a retoma do turismo (meados de junho continua a ser a data mais provável). Dentro de menos de um mês e meio, a Grécia deverá voltar a receber turistas de todos os países da UE, mas também do espaço Schengen e de Israel, embora alguns voos comerciais já estejam a ser operados desde a semana passada.

Espanha

O país vizinho continua com as fronteiras fechadas, incluindo a fronteira com Portugal, mas as sucessivas baixas do número de mortes e de novas infeções está a encorajar o governo a iniciar uma retoma do setor do turismo, agora apontada para o fim de junho. Em simultâneo, também os espanhóis deverão começar a poder viajar dentro do próprio país. “Não podemos permitir que os estrangeiros venham enquanto os espanhóis continuam confinados. A partir do final de junho, vamos iniciar a atividade turística, assim espero… Espanha tem de ser um país atrativo do ponto de vista da saúde”, referiu o ministro dos Transportes espanhol Jose Luis Abalos, na última segunda-feira.

Nas palavras de um outro membro do Governo, Arancha Gonzalez Laya, ministra dos Negócios Estrangeiros, o regresso dos turistas ao país será feito “o mais depressa possível”. Assinalou ainda que cidades como Madrid e Barcelona, que permanecem como focos de infeção pelo novo coronavírus, deverão continuar sob apertadas medidas de segurança, ao passo que áreas rurais poderão ver esse mesmo controlo ser aliviado mais cedo.

Croácia

O país está inserido numa das zonas que conseguiram controlar o surto relativamente cedo e foi, por isso, à frente no processo de desconfinamento europeu. De fronteiras abertas e sem quarentena obrigatória para cidadãos europeus, tal como a Eslovénia, a retoma da economia, em particular do setor do turismo, adivinha-se favorável.

Neste momento, a Croácia representa um território relativamente seguro, no contexto da atual crise de saúde pública, além de ser um destino alternativo às estâncias balneares grega, italiana e espanhola. Bares e restaurantes já reabriram, bem os hotéis e os serviços de transporte entre cidades. O país prepara-se agora para recuperar a quebra severa dos últimos meses. Esta primavera, o fluxo de turistas caiu 99% em relação ao mesmo período do ano passado.

Islândia

Turistas de todo o mundo já têm data marcada para regressar à Islândia. O país do norte da Europa já anunciou que abrirá as fronteiras a partir de 15 de junho, não só a cidadãos europeus, mas a todos os que queiram ver ao vivo o postal verdejante, pontuado por montanhas e cascatas. Mas com controlo. Todos serão testados ao novo coronavírus à chegada ao aeroporto de Keflavik. O país mantém, para já, a quarentena obrigatória para os que aterram. Dentro de sensivelmente três semanas, quem testar negativo à chegada só terá de se preocupar com as férias.

Seljalandsfoss

Paisagem islandesa durante o verão © REDA&CO/Universal ImagesGroup

Apesar da aparente facilidade em programar umas férias na Islândia, especialistas do setor antecipam algumas das restrições decorrentes dos cuidados ainda necessários no rescaldo do surto no país, a começar pelo tamanho dos grupos — “anteriormente compostos por 12 elementos e que agora vão ter de ser mais pequenos [talvez oito], já que é necessário reservar mais espaço entre passageiros nas habituais Mercedes Sprinters”, como explica um responsável por uma empresa de visitas guiadas à Forbes.

Quanto ao impacto da pandemia no verão islandês, as estimativas apontam para uma quebra superior a 90% no fluxo de turistas.

Suíça

O país já tem data para reabrir as fronteiras com a Alemanha, França e Áustria. A partir de 15 de junho, a Suíça volta a abrir-se. Hotéis, lojas, mercados e restaurantes já reabriram. Em atividades ao ar livre são permitidos grupos até cinco pessoas. O dia 8 de junho marca a próxima etapa do desconfinamento suíço, com a reabertura de teatros, museus, cinemas, piscinas, estâncias de esqui e de montanha e spas, uma mão cheia de bons motivos para visitar o país.

Suécia

Quem sente o apelo do norte e a promessa de um verão fresquinho, terá sempre a Suécia, país que se destacou nos últimos meses por não ter aplicado regras de confinamento obrigatório, ou pelo menos não ao nível do que se assistiu no resto da Europa. As fronteiras estão abertas para cidadãos da União Europeia e do Reino Unido. A questão da retoma dos setores não se coloca, já que bares, lojas, hotéis, restaurantes e museus nunca chegaram a fechar as portas.

Alemanha

A Alemanha quer deixar cair as restrições às viagens dentro do espaço Schengen a partir de 15 de junho. O país esteve ainda entre os proponentes do debate europeu que teve lugar na passada segunda-feira, sobre a retoma de viagens internacionais. Com regras já elaboradas para a retoma dos voos comerciais, os hotéis têm reabertura marcada para o dia 25 de maio. Para já o tráfego aéreo está limitado a deslocações essenciais. Cabe a cada região aplicar regras de segurança à chegada dos passageiros e algumas já aboliram a quarentena obrigatória.

França

À semelhança de Espanha, França tenciona oficializar o início da época estival na segunda metade de junho. As primeiras fronteiras devem reabrir a partir de 15 do mesmo mês. No início do próximo mês, restaurantes e cafés podem começar a reabrir. O acesso a praias vai permanecer restringido, pelo menos, até dia 1 de junho, à semelhança de alguns parques e dos grandes museus. Quem quiser entrar no país terá de trazer um atestado em como não esta infetado com o novo coronavírus. A alternativa são 14 dias de quarentena obrigatória.

O mesmo procedimento está a ser adotado pela Áustria, onde restaurantes e cafés já reabriram, mas hotéis só devem fazê-lo a partir do final deste mês. Só a partir dessa altura é que os aeroportos deverão começar a retomar a atividade normal.

Turquia

Culturalmente mais desafiante, tudo leva a crer que uma viagem à Turquia poderá ser possível a partir de meados de junho, altura em que o país tenciona abrir as suas fronteiras ao turismo internacional. A nível doméstico, a Turquia quer reativar o setor já no final de maio — dentro de uma semana, restaurantes e hotéis vão estar autorizados a reabrir.

Eminonu view across the Golden Horn toward Galata district

Vista de Istambul, Turquia © Eye Ubiquitous/Universal Images Group via Getty Images

Bélgica e Países Baixos

O executivo belga prometeu mais novidades para o final deste mês, mas a previsão é de que a 15 de junho, as fronteiras se abram gradualmente a visitantes estrangeiros. Por enquanto, quem aterra ainda tem de cumprir quarentena. Cafés, restaurantes e algumas atrações turísticas têm luz verde para reabrir a partir de dia 8 de junho.

Mesmo ao lado, a antiga Holanda tem fronteiras abertas para receber cidadãos do espaço Schengen e ainda viagens consideradas essenciais. As lojas estão abertas, tal como alguns estabelecimentos hoteleiros. A 1 de junho reabrem bares e restaurantes, bem como os teatros, salas de espetáculo, museus e cinemas, com as devidas medidas de distanciamento. Parques naturais e de campismo estão abertos, embora as suas estruturas de usufruto comunitário só voltem a funcionar a 1 de julho.