Amália, Ditadura e Revolução, a História Secreta. É este o título da “biografia política” de Amália Rodrigues, assinada pelo jornalista Miguel Carvalho e que será publicada a 30 de junho, mês em que as editoras portuguesas regressarão aos lançamentos, pela Dom Quixote.

O livro, com cerca de 600 páginas, resultou de um trabalho de investigação feito com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e publicado, numa versão mais reduzida, no ano passado pela revista Visão Biografia. Pretende ser um “olhar Amália Rodrigues para além da carreira artística, da sua música, do ‘boneco’ e dos caixilhos onde a quiseram meter”, afirmou Miguel Carvalho na introdução, e mostrar um lado diferente da fadista, acusada de servir a ditadura e de colaborar com a PIDE.

Com recurso a fontes documentais e entrevistas, Amália, Ditadura e Revolução mostra como, pelo contrário, Amália apoiou, muitas vezes com dinheiro, a causa antifascista e tentou influenciar a libertação de presos políticos, nomeadamente a de Alain Oulman, compositor com quem colaborou nas décadas de 1960 e 1970 e que foi responsável por alguns dos seus maiores sucessos.

Amália Rodrigues apoiou a causa antifascista, revela investigação da Visão Biografia

A investigação de Miguel Carvalho revela também que a cantora foi vigiada pela PIDE por suspeita de apoiar os comunistas. Um dos documentos revelados no ano passado na Visão Biografia, e também incluído nesta biografia, é um registo dos serviços centrais da polícia política de 1957 com um pedido de bilhete de identidade de Amália Rodrigues e um relatório anterior, de 1939, relativo à “Organização Comunista do Fado” que referia o nome da fadista.

“Se algo se pode concluir acerca de Amália Rodrigues é que ela nunca correspondeu a outra entidade coletiva que não fosse o povo português. Não há uma Amália a preto e branco, uma Amália de trincheira”, disse ainda Miguel Carvalho na introdução.

“Amália não é pertença de nenhuma capelinha, de nenhum regime. Amália não obedece a qualquer moldura onde a queiram meter. Perceber isso, a sua relação íntima com o povo, é a maior homenagem que lhe podemos fazer. Amália, ser imperfeito e controverso como a vida, dispensa canonizações. Monumento artístico e humano, reivindicada contra ou à boleia da sua vontade, não é, ainda assim, intocável.”