A Câmara de Lisboa apelou esta quinta-fera ao reforço da oferta de transportes públicos, defendendo que deve ser garantindo o uso total da capacidade instalada, especialmente no metropolitano, como forma de reduzir o risco de infeção pelo novo coronavírus.

Numa moção, apresentada pelo vereador com o pelouro dos Direitos Sociais e da Educação, Manuel Grilo (BE, partido que tem um acordo de governação da cidade com o PS), a autarquia insta o Governo a aumentar a oferta dos transportes públicos, “por via de antecipação de investimento planeado, nomeadamente no alargamento para a zona ocidental e outros concelhos da Área Metropolitana de Lisboa”.

Na moção, que foi aprovada com a abstenção do CDS-PP e o voto favorável de todos os outros partidos em reunião privada do executivo, a Câmara de Lisboa apela ainda ao Governo para que garanta “o uso total da capacidade instalada, especialmente no Metro de Lisboa, pela sua importância na mobilidade da cidade”, com vista à redução do risco de infeção pelo novo coronavírus e ao cumprimento da lotação máxima definida.

No texto é referido que, no início do mês, a afluência dos principais transportes públicos aumentou 20% face ao mês anterior e, “com a segunda fase do desconfinamento”, devido à pandemia de Covid-19, “estima-se que a afluência aumente ainda mais”.

Mais oferta de transportes públicos garante mais segurança contra o vírus e dá resposta a quem deles depende para se deslocar para o local de trabalho. Infelizmente, a disponibilização da oferta de transportes públicos tem sido díspar e há situações de congestionamento relatadas”, lê-se no texto.

Na moção é ainda referido que, não obstante o anúncio de aumento da oferta de autocarros, “é notório que o Metro de Lisboa se mantém com poucos comboios e, mesmo em horas de maior afluência, os tempos de espera ultrapassam os nove minutos”.

Da mesma forma, é acrescentado, a Transtejo e a Soflusa estão “a operar com horários mínimos, com a agravante de estarem a acumular os utentes que viram a oferta dos TST ser cortada, visto que a empresa entrou em layoff”.

Na reunião privada do executivo camarário foi também aprovada, por unanimidade, uma moção apresentada pelo CDS-PP sobre violência doméstica.

No texto apela-se ao reforço dos mecanismos de cooperação entre as entidades públicas e privadas que se dedicam ao combate à violência doméstica, “de modo a que seja possível dar respostas mais rápidas e eficazes”.

A Câmara de Lisboa solicita também ao Ministério da Administração Interna a disponibilização do número de casos de violência doméstica na cidade nos últimos dois meses e nos dois períodos homólogos, com especificação por sexo e faixa etária, para “avaliar se o isolamento domiciliário motivado pela pandemia de Covid-19 contribuiu para o aumento do número de casos”.

Além disso, é sugerido que se realize uma campanha de informação e sensibilização em parceria com várias entidades, nomeadamente as Juntas de Freguesia, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS’s), comunidades religiosas, PSP e Ministério da Administração Interna.

O CDS-PP levou ainda à reunião privada do executivo camarário uma proposta para a distribuição de máscaras a pessoas com carências socioeconómicas, idosos isolados e sem-abrigo, mas a sua discussão foi adiada para a próxima semana.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 328 mil mortos e infetou mais de cinco milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,8 milhões de doentes foram considerados curados.

Portugal regista hoje 1.277 mortes relacionadas com a Covid-19, mais 14 do que na quarta-feira, e 29.912 infetados, mais 252, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.