O chefe do executivo madeirense, Miguel Albuquerque, criticou esta quinta-feira o Presidente da República por nunca se ter pronunciado sobre a situação decorrente da Covid-19 no arquipélago, nem ao nível das reivindicações da região, nem sobre o comportamento da população.

“O senhor Presidente da República, que foi eleito por sufrágio direto, ainda não teve tempo de se pronunciar sobre aquilo que se passa na Madeira, não teve tempo ainda de dirigir uma palavra de conforto aos madeirenses e de admiração pela forma como enfrentaram esta epidemia”, declarou Miguel Albuquerque.

O arquipélago da Madeira regista um total de 90 casos de Covid-19, dos quais 64 foram dados como curados, estando há 14 dias consecutivos sem sinalizar novas infeções.

O governante, que falava na inauguração de um arruamento em Câmara de Lobos, na zona oeste da ilha, realçou que a região precisa de fazer uma “operação de financiamento urgente” de 300 milhões de euros para “acorrer à emergência social e económica” gerada pelas medidas de contenção da pandemia.

Por isso, o executivo, de coligação PSD/CDS-PP, reivindica a alteração da Lei das Finanças Regionais, para permitir o acesso ao financiamento no mercado, e também uma moratória sobre o pagamento de duas prestações de 48 milhões de euros cada, relativas à dívida da região ao Estado.

Estamos há 60 dias à espera de uma resposta, essa resposta não vem, ou está a ser protelada e eu, neste momento, preciso de ter os mecanismos para poder fazer essa operação de financiamento para acorrer à situação de emergência social”, declarou.

Miguel Albuquerque considerou ser “fantástico” e “estranho” que ninguém se pronuncie sobre a matéria ao nível nacional, nem mesmo Marcelo Rebelo de Sousa. “Até hoje, o que tem havido do outro lado é silêncio. Mas nós vamos continuar a lutar, porque a nossa obrigação é servir o nosso povo”, disse.

Albuquerque adiantou que esta “situação de impasse” é motivada por um “estado centralista” e por um “governo que não quer saber das regiões”, negando-lhes o “direito básico” de realizar operações de financiamento. “O que é fundamental é as pessoas perceberem que nós precisamos rapidamente de uma decisão ao nível nacional”, afirmou.