A administração do Novo Banco “não aceita e lamenta profundamente que o bom nome da instituição continue a ser usado como arma de arremesso político e/ou manobras político-mediáticas”.

A administração mostra-se disponível para tudo esclarecer as dúvidas dos deputados, mas sublinha que “não pode continuar a assistir a constantes manobras que só prejudicam a sua atividade, perturbam o esforço de recuperação duramente realizado por milhares de colaboradores do Banco, que diariamente servem centenas de milhares de clientes, e esquecem a importância do Novo Banco para a economia do país que ficou bem evidenciada, sobretudo nesta hora de maior dificuldade para as empresas e famílias portuguesas”.

Num comunicado emitido esta manhã, e na sequência do debate quinzenal em que o tema dominou a discussão no Parlamento, a equipa liderada por António Ramalho sublinha que “é seguramente uma das entidades bancárias mais escrutinadas, tanto a nível nacional como a nível europeu, fruto, aliás, do processo que lhe deu origem”, lembrando ainda que o presidente executivo esteve já, por várias vezes, no Parlamento a prestar todos os esclarecimentos que lhe foram solicitados.

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Ainda assim, e considerando as dúvidas suscitadas no debate parlamentar sobre a forma como é gerido o banco, adianta que os “senhores deputados devem procurar, através de todas as iniciativas, e sublinhamos todas as iniciativas que estão nas suas atribuições, apurar tudo o que quiserem”.

Desde o empréstimo de 850 milhões de euros do Estado ao Fundo de Resolução, e que quase levou à saída de Mário Centeno do Governo, que a mais recente recapitalização do Novo Banco tem gerado ondas de choque na arena política. Isto apesar de estar prevista desde fevereiro.

Rui Rio questionou ontem o primeiro-ministro sobre se tinha a certeza de que tinham sido cumpridas as regras no apuramento das perdas que resultaram em mais necessidades de capital, e que estão cobertas pelo mecanismo de recapitalização com financiamento do Estado.

António Costa tinha afirmado no debate anterior que o Governo ia esperar pelo resultado de uma auditoria pedida no ano passado antes de realizar a injeção no Novo Banco. Posição que teve que rever depois do choque com o ministro das Finanças. Desta vez admitiu que, caso sejam detetadas irregularidades na constituição dessas imparidades, o Fundo poderia exigir a devolução do capital injetado no quadro do contrato de venda à Lone Star.

O Novo Banco tem sido alvo de intensa polémica, que acontece todos os anos quando há injeção de capital, mas que este ano foi ampliada pelo custo económico da pandemia. Na semana passada, Mário Centeno veio em defesa da instituição, lembrando os milhões que lá estão depositados, os créditos às empresas e os milhares de trabalhadores.

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Também a política de remuneração dos gestores tem estado em causa. O Novo Banco atribuiu prémios de dois milhões de euros à gestão, mas cujo pagamento está condicionado à evolução de indicadores e só pode ser feito em 2022. O Fundo de Resolução, que meteu 1.035 milhões de euros na instituição, descontou dois milhões de euros à verba prevista por discordar destes prémios decididos pela gestão privada da Lone Star.

Há ainda notícias que indicam um aumento dos gastos com salários da administração já durante a gestão privada, e nos anos em que o Novo Banco apresentou prejuízos superiores a mil milhões de euros anuais, muito por força da limpeza do balanço dos ativos ainda herdados do Banco Espírito Santo.