Os últimos 56 requerentes de asilo que se encontravam em quarentena na Base Aérea da Ota, em Alenquer, foram transferidos na quarta-feira para vários locais, disse esta quinta-feira à agência Lusa fonte oficial daquele município.

Dos 56, 32 foram transferidos para a Unidade Militar de Santa Margarida, em Constância, no distrito de Santarém, e os restantes para Lisboa, separados em dois grupos de 16 e oito e divididos por dois locais diferentes na capital.

Ota. 32 migrantes infetados transferidos para Santa Margarida

A mesma fonte explicou que os 56 foram separados em função de testarem negativo ou positivo à Covid-19, das etnias e religiões a que pertencem e face à necessidade de a Força Aérea ter de voltar a receber alunos e ter de preparar o próximo ano letivo.

Para a Unidade Militar de Santa Margarida, foram transferidos os que continuam infetados.

No processo de transferência dos 32 migrantes infetados, verificou-se “algumas hesitações e alguma dificuldade em entender que teriam de continuar confinados”, referiu fonte oficial da Secretaria de Estado para a Integração e as Migrações.

“Nesta transferência, perceberam que teriam de continuar confinados, portanto houve uma certa resistência, por essa razão, mas entretanto já foi resolvida essa resistência e já estão todos mesmo no campo”, reforçou a mesma fonte.

Quanto aos 24 migrantes que testaram negativo à Covid-19, a mesma fonte não tem conhecimento que tenha havido qualquer tipo de dificuldades, adiantando que os cidadãos estão a ser transferidos para diferentes locais, para soluções de alojamento na Área Metropolitana de Lisboa, em articulação com diferentes entidades, inclusive o Instituto da Segurança Social e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

O primeiro grupo de 58 migrantes foi transferido da Ota em 8 de maio, seguindo-se um segundo, de 52, no dia 14.

Em 20 de abril, foram colocados em quarentena na Base Aérea da Ota, no distrito de Lisboa, 171 cidadãos estrangeiros requerentes de asilo que estavam hospedados num hostel em Lisboa, por a grande maioria ter testado positivo à presença do novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Portugal contabiliza 1.263 mortos associados à Covid-19 em 29.660 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia. Relativamente ao dia anterior, há mais 16 mortos (+1,3%) e mais 228 casos de infeção (+0,8%).

Das pessoas infetadas, 609 estão hospitalizadas, das quais 93 em unidades de cuidados intensivos, e o número de casos recuperados é de 6.452.

Portugal entrou no dia 3 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à Covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

O Governo aprovou novas medidas que entraram em vigor na segunda-feira, entre as quais a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios.

O regresso das cerimónias religiosas comunitárias está previsto para 30 de maio e a abertura das praias para 6 de junho.