Para incentivar os consumidores a adquirir veículos novos, amigos do ambiente, a Comissão Europeia está a finalizar as linhas-mestras de um plano de ajuda no valor de 20 mil milhões de euros. A verba faz parte de um pacote mais geral, que envolve cerca de 100 mil milhões de euros. A informação é veiculada pelo jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, com o periódico a avançar igualmente que há ainda algumas discussões em relação à definição de “veículo amigo do ambiente”.

A definição de “carro limpo” varia de país para país, consoante os interesses da indústria local. Para os fabricantes germânicos, defendidos pelo ministério alemão dos Transportes, “limpo” deveria ser sinónimo de emissões abaixo de 140 g de dióxido de carbono (CO2). Trata-se de um argumento desfasado da realidade, uma vez que a média de CO2 que as gamas dos fabricantes devem respeitar em 2020 está fixada nos 95g.

A chanceler Angela Merkel surpreendeu todos, a começar pela “sua” indústria, defendendo que os estímulos económicos “devem ser utilizados para defender o ambiente”. Posição que vai ao encontro da mensagem da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e que teve o condão de acabar com as críticas.

O plano final será revelado a 27 de Maio, sendo anunciado como uma espécie de Plano Marshal para a indústria automóvel. É de esperar que os incentivos recaiam sobre os veículos eléctricos, sejam eles alimentados por baterias ou fuel cells, solução que também deverá ser alargada aos veículos pesados, sejam eles vocacionados para o transporte de mercadorias ou de passageiros.

Além dos estímulos à compra de veículos eléctricos e potencialmente outras soluções amigas do ambiente, que podem passar pela isenção de IVA, a Comissão Europeia prevê ainda utilizar o resto da verba para dinamizar o crescimento da rede de carga das baterias, que se pretende que atinja os 2 milhões de postos em 2025.