Uma espécie de mascote amarela, em formato bola mas com um pedaço triangular em falta, a percorrer vários caminhos, curva à direita e curva à esquerda, sobe-desce permanente. Uma espécie de mascote único objetivo é comer uma série de pontinhos no ecrã. Ou quase, porque também é preciso evitar o encontro com uma série de bonecos coloridos — a não ser quando estes ficam azulados, aí já é preciso engoli-los para ganhar pontos “bónus”.

A quem tiver aterrado em 2020 sem conhecer nada disto, culpa da tenra idade, a premissa pode parecer absurdamente — quase escandalosamente — simples, para não dizer desajeitadamente pobre. Mas foi essa premissa que viciou uma geração, que pôs o mundo inteiro de roda de um boneco chamado Pac-man, que deu um futuro inesperado e certamente inimaginável a quem há precisamente 40 anos, a 22 de maio, experimentou pela primeira o videojogo de arcade e se tornou um dos primeiros jogadores de Pac-man.

O sucesso do jogo foi tão retumbante que, um pouco por todo o mundo, a maioria dos que cresceram nas décadas de 1980, 1990 e até 2000 certamente o jogaram pelo menos uma vez na vida. E agora que se assinalam 40 anos desde que o famosíssimo videojogo começou a ser jogado e testado por utilizados em Tóquio, no Japão, a imprensa internacional tem-se dedicado a recordar alguns factos que nem todos conhecerão sobre a história de Pac-Man. Escolhemos alguns dos mais surpreendentes:

  •  Já algum dia se questionou “mas quem é que teve a ideia de fazer um boneco assim?”. A história é caricata: enquanto tentava delinear mentalmente ideias para um novo videojogo inspirado em comida, um rapaz de 25 anos chamado Toru Iwatani, que acabaria por criar Pac-man, comia uma pizza. Ao tirar uma fatia, reparou na forma circular da pizza com o pedaço triangular — a fatia que levaria ao estômago — em falta. Estava decidido.
  • E as cores brilhantes e garridas dos “fantasmas”, que só ficam mais escuros quando é altura da personagem principal os devorar? A explicação é mais simples: de acordo com o The Guardian, a ideia do designer Toru Iwatani foi tornar o jogo mais bonitinho. Ou, na palavra japonesa, mais kawaii.
  • A ideia de fazer um videojogo menos violento, menos pensado exclusivamente para o público masculino (e menos promovido comercialmente para esse público em específico), foi o que o fez querer fazer um jogo aparentemente relativamente acessível, que pudesse ser jogado por todos e que fosse direcionado a todos os públicos. E, bom, há alguém que não esteja familiarizado com o ato de comer? Escusado será dizer que resultou.
  • O nome original do jogo era “PuckMan”. Problema: não faltaria certamente gente que nos Estados Unidos da América trocaria maliciosamente trocasse o “p” por outra letra, que vem a seguir ao “e” no abecedário. E estava o caldo entornado. Solução: trocar “Puck-Man” por Pac-Man. Quando chegou aos EUA com o novo nome, em outubro desse ano, vendeu que nem pãezinhos quentes: como lembra o The Guardian, entre 1981 e 1987 foram vendidas por todo o mundo 300.000 unidades do jogo. E à popularidade na América seguiu-se, como habitual, a popularidade no mundo.
  • Em 2012, o videojogo passou a fazer parte da coleção permanente do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque. Pop art, pois claro.
  • Quem achar que brilhar no Pac-man é “peanuts”, como dizia um treinador português que conquistou o Brasil, talvez deva ter um pormenor em conta: foram precisos 13 anos para que alguém conseguisse completar o jogo de forma exímia, sem perder vidas e fazendo o máximo de pontos possíveis para cada nível de dificuldade. Essa pessoa foi Billy Mitchell, um norte-americano que relatou assim a experiência, citado pela CNN: “A parte mais difícil é sentares-te e continuares permanentemente focado [durante todo o jogo], sem te permitires qualquer distração”.
  • A mascote do jogo tornou-se a primeira mascote estrela pop, a servir para a venda — muito lucrativa — de merchandising vário, refere o The Guardian. Até aí, não se encontrava nenhuma mascote de um videojogo em todo o lado: nas T-shirts, nos pijamas, nas mochilas, nas canecas e por aí fora…