Dezenas de feirantes participaram esta sexta-feira numa manifestação, convocada pela Associação dos Profissionais Itinerantes Certificados (APIC), junto ao Ministério das Finanças, em Lisboa, onde tentaram furar o cordão policial, o que resultou num ferido e num detido, disse a PSP. Os feirantes disputam a tese e dizem que não tentaram furar o cordão policial.

“Várias pessoas tentaram furar o cordão policial para entrar no Ministério e foram impedidas”, avançou à Lusa o porta-voz da Polícia de Segurança Pública (PSP), Nuno Carocha, adiantando que a manifestação dos feirantes foi comunicada previamente pela associação APIC.

Do confronto entre os feirantes e a polícia resultou “um detido”, revelou a PSP. Um dos manifestantes, Luís Paulo Fernandes, transmitiu na sua conta de Facebook (em formato acessível a todos) um vídeo gravado em direto durante a manifestação:

Posted by Luís Paulo Fernandes on Friday, May 22, 2020

Segundo o porta-voz da PSP, durante o protesto junto ao Ministério das Finanças, “houve uns empurrões”, o que resultou ainda numa pessoa ferida, com “um pequeno corte na cabeça que resultou da queda” no chão, que foi transportada para o hospital de São José, em Lisboa.

Pelas 18:15, os manifestantes encontravam-se “em trânsito”, em direção ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, na Praça de Londres, em Lisboa, para continuar o protesto. Sem precisar o número de manifestantes, a PSP adiantou que o protesto conta com a participação de “algumas dezenas” de pessoas.

Feirantes desmentem. “Pedimos para ir para a sombra por nos estarmos a sentir mal ao sol”

A Lusa tentou contactar com o presidente da associação APIC, Luís Fernandes, mas sem sucesso. Este falou, no entanto, ao Jornal de Notícias, indicando a sua versão dos acontecimentos: “Pedimos para ir para a sombra por nos estarmos a sentir mal ao sol. Dissemos que não saíamos até sermos ouvidos e foi aí que a PSP levantou o cacetete e começou a agredir-nos. Há agentes fardados sem identificação e são esses que normalmente usam o cacetete. Foram eles que provocaram e causaram isto”.

A 6 de maio, os representantes da recém-criada APIC saíram “indignados” de uma reunião com o Governo, reclamando apoios à sustentabilidade dos negócios e a possibilidade de suspensão do pagamento de alguns impostos, uma vez que estão impedidos de trabalhar por causa da pandemia de covid-19.

“A reunião correu muito mal. O Governo não tem nenhum plano para nos auxiliar. Estamos profundamente revoltados”, afirmou à agência Lusa o presidente da APIC, após uma reunião com secretário de Estado do Comércio, João Torres.

Luís Fernandes referiu que a APIC defendeu junto da tutela apoios aos empresários, que podiam passar pela criação de “protocolos sanitários” para poderem trabalhar e uma isenção de alguns impostos, como é o caso do IUC (Imposto Único de Circulação), e seguros de camiões e material.

Em último caso, se não nos deixarem trabalhar, que nos apoiem para que possamos ficar em casa. Estamos muito indignados e desesperados e não iremos desarmar enquanto não tivermos uma resposta satisfatória”, afirmou.

Devido ao surto da covid-19, os negócios itinerantes em eventos culturais, feiras, festas, romarias e circos, a maioria das quais canceladas, ficaram comprometidos.

A 15 de março, o Governo anunciou que as feiras e os mercados de venda de produtos, excluindo as de diversão, podem reiniciar a sua atividade a partir de 18 de maio, “devendo para tal existir um plano de contingência”.