Os países do Médio Oriente e do Golfo Pérsico terminaram neste sábado o mês sagrado do Ramadão, período em que multiplicaram os infetados pelo novo coronavírus, levando as autoridades a impor estreitas medidas para os festejos do “Aid al Fitr”. O fim do Ramadão, e a quebra de jejum que o assinala, celebra-se ao pôr-do-sol deste sábado.

Segundo a agência Efe, se em alguns países da região como o Egito, Iraque e Arábia Saudita foram levantadas algumas restrições antes do começo do mês de jejum, os governos fizeram agora marcha atrás e decretaram recolher obrigatório mais amplos, encerramento de comércio e proibição de viajar entre províncias.

No Egito, o recolher obrigatório tinha sido reduzido durante o Ramadão até às 21:00, horas locais, e a partir de domingo, início dos festejos “Aid al Fitr”, (fim do Ramadão), e até à próxima sexta-feira, passa a ser às 17:00, horas locais, proibindo desta forma as saídas nas horas de maior atividade do dia, porque são as mais quentes.

Durante este mês especial para os muçulmanos, o Ramadão, as autoridades egípcias registaram um aumento de contágios pelo novo coronavírus em 266%, enquanto as mortes por covid-19 passaram de 294 para 696, segundo uma comparação da agência Efe.

A Arábia Saudita também decidiu voltar a impor o recolher de 24 horas, a partir de hoje e até à próxima quarta-feira, dia em que os muçulmanos se reúnem com a família para celebrar com grandes banquetes o fim do sacrifício do mês de jejum.

O reino da Arábia Saudita é o país da zona que regista mais casos de infetados, com um aumento de 350% no final dos últimos 30 dias, alcançando os 67.719 a 22 de maio, segundo os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Tanto no Egito, como no reino saudita, as pessoas estão proibidas de circularem entre as províncias e as autoridades do Cairo suspenderam os transportes públicos durante cinco dias para evitar que os egípcios realizem viagens e excursões e regressem às suas localidades de origem.

No Golfo Pérsico, a maioria dos países sentiu um aumento considerável de contágios, embora não de mortes por covid-19, uma vez que também aumentaram o número de testes para detetar a doença.

No Kuwait, os infetados são agora sete vezes mais de que no primeiro dia de Ramadão; no Catar são quase cinco vezes mais e nos Emirados Árabes Unidos o número multiplicou por três.

Em alguns países, as autoridades admitiram que o aumento de casos se deve às multidões nas lojas onde se adquiriam os produtos típicos do Ramadão, assim como nas reuniões para tomar o ‘iftar’, que é o alimento com que se quebra o jejum ao entardecer e que se costuma fazer com família e amigos.

As mesquitas foram fechadas durante todo o mês em toda a região e não voltarão a abrir para a tradicional oração conjunta do “Aida l Fitr”, que acontece ao amanhecer do primeiro dia após o final do Ramadão.

Em Portugal, a comunidade islâmica de Lisboa vai assinalar o fim do Ramadão ficando em casa, estando apenas previsto que a mesquita central possa realizar “algumas preces e palestras virtuais”, adiantou à Lusa o xeque David Munir.

Há a possibilidade de este ano se realizarem orações e palestras virtuais, mas David Munir sublinhou que a data já é habitualmente para ficar em casa e celebrar com a família. Visitar outros familiares também não é aconselhado este ano, acrescentou.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 335 mil mortos e infetou mais de 5,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,9 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.289 pessoas das 30.200 confirmadas como infetadas, e há 7.590 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.