As manifestações intituladas “Marchas pela liberdade”, convocadas pelo Vox para este sábado a fim de protestar contra a atuação do governo de Pedro Sánchez na crise da Covid-19, reuniram milhares de pessoas por toda a Espanha. O facto de terem sido realizadas dentro de carros levou a engarrafamentos na cidade de Madrid, com várias pessoas a saírem dos veículos e a acabarem por não respeitar a distância de segurança.

Na capital espanhola, segundo conta o El País, a zona autorizada para a marcha tinha capacidade máxima para 2.820 carros. A adesão, contudo, terá sido muito superior — cerca de seis mil, de acordo com contas do governo —, tendo a maioria dos veículos acabado por ficar presos em filas de trânsito, sem chegar à zona planeada. Ainda de acordo com as contas do executivo espanhol, com uma média de 2,5 ocupantes por carro, estima-se que terão estado presentes na manifestação em Madrid cerca de 15 mil pessoas.

O líder do Vox, Santiago Abascal, seguia num autocarro descapotável que encabeçava a marcha, acompanhado de outros dirigentes do partido como Javier Ortega Smith, que esteve internado com Covid-19, todos de máscara, de acordo com o El Mundo. Ali, Abascal fez um discurso transmitido pela esRadio: “A pulsão da liberdade é imparável”, afirmou o líder do partido de extrema-direita, que apelou a que fossem cumpridas “todas as medidas de saúde e de senso comum”. Abascal reforçou contudo as críticas ao governo do PSOE, apoiado pelo Podemos e outros partidos (incluindo independentistas catalães), apelando aos manifestantes para que “corram até à última esquina e façam soar os vossos tachos em cada rua e em cada praça”, disse, referindo-se às caceroladas que têm acontecido em Madrid.

Segundo o El País, a manifestação que era suposto acontecer com cada manifestante dentro da sua viatura acabou por passar para os passeios. No meio do engarrafamento e com temperaturas acima dos 30 graus, vários dos condutores e passageiros decidiram sair e conversar com outros manifestantes, bem como para gritar palavras de ordem. O distanciamento social, diz o jornal, acabou por não ser cumprido.

Ainda de acordo com o diário espanhol, a manifestação em Madrid contou com dois incidentes de agressões a jornalistas. Uma equipa da TVE foi insultada por várias dos manifestantes quando tentava fazer um direto. E um fotógrafo do jornal La Razón foi agredido pelas costas e a sua máquina fotográfica foi danificada.