O líder do PCP explica a posição do partido na próxima ronda parlamentar, com um Orçamento retificativo no horizonte que precisa de maioria (que o PS não tem) para ser aprovado. Pouco focada na estabilidade do Governo, Jerónimo de Sousa diz que “se o governo do PS enveredar pela política de retrocesso que se manifestou nos PEC e no pacto de agressão, nós não acompanharemos o Partido Socialista”.

Numa entrevista ao Diário de Notícias, o secretário-geral do PCP diz que, por isto mesmo, a queda ou não do Governo está apenas “nas mãos do PS”. O processo de decisão do PCP será o mesmo até agora, por uma questão de “coerência”, diz Jerónimo: “Olhamos para o documento, estudamo-lo, refletimos e dizemos se estamos de acordo ou se estamos em desacordo. E nunca por nunca nós abdicamos da palavra dada. E é essa a nossa disposição em relação ao orçamento suplementar e em relação ao Orçamento do Estado para 2021, que vamos começar a apreciar em junho ou julho”.

A posição comunista face a medidas de austeridade mantém-se igual: “O que estes quatro anos demonstraram é que quanto mais valorizados forem os trabalhadores, o seu trabalho, os seus direitos, melhor para a nossa economia. A vida provou-o, não sou eu que estou a inventar”, afirma o secretário-geral do PCP, que se mostra muito crítico do aproveitamento que diz que as empresas fizeram de medidas como o lay-off, sobretudo as maiores. “Tenho grande dificuldade em compreender que cerca de 500 empresas, tendo tido lucros fabulosos, queiram prolongar o lay-off. Isto não pode ser um processo que continue meses sem fim”, diz na entrevista.

Aliás, o comportamento das grandes empresas foi o que levou os comunistas a oporem-se ao estado de emergência. “Por isso é que nós considerámos o estado de emergência como um exagero. O estado de emergência serviu, não para salvaguardar a saúde dos portugueses, mas para transformar a dificuldade numa oportunidade para muitos”, afirmou.