Foi necessário reunir sete empresas japonesas para que o projecto e5 Consortium se tornasse uma realidade. E não é de admirar a dificuldade, pois o objectivo é capaz de suscitar dúvidas mesmo junto dos mais crentes na mobilidade eléctrica. Sendo que “e5” pretende representar os cinco valores da iniciativa, ou seja, electrificação, ambiente (em inglês environment), evolução, eficiência e economia.

Com a finalidade de construir navios de dimensões generosas, mas movidos por motores eléctricos, em vez de accionados por enormes motores a gasóleo – na realidade, diesel marítimo que representa o combustível mais barato e mais poluente que um motor de combustão consegue queimar –, o projecto reúne todas as condições para ser, no mínimo, estranho. Sem dúvida, porque os dois primeiros navios a construir pela Asahi Tanker, uma das empresas do consórcio, serão petroleiros com 62 metros de comprimento e capazes de transportar 499 toneladas de crude.

Estas são as sete empresas nipónicas que fazem parte do consórcio

Os navios deverão ser terminados ainda durante 2021, para depois entrarem ao serviço no ano seguinte. Entre as particularidades destes petroleiros eléctricos está a motorização que, para maximizar a capacidade de manobra, monta dois motores à popa com 300 kW cada, cerca de 408 cv, que oferecem a capacidade de girar a 360º. À proa surgem dois motores mais pequenos (92 cv) para ajudar nas manobras, sobretudo de acostagem.

Os motores eléctricos são alimentados por uma bateria de 3500 kWh, equivalente a 35 acumuladores dos que equipam os Model S ou X da Tesla. Não há ainda dados sobre a autonomia, mas o consórcio menciona que a energia a bordo é suficiente para alimentar o navio durante 10 horas a meia potência e, como este possui uma velocidade de cruzeiro de 11 nós, tudo aponta para 110 milhas náuticas, ou seja, cerca de 200 km.

O objectivo do petroleiro a bateria é alimentar os navios de maior porte que necessitem de se abastecer em zonas em que não seja possível atracar, como os grandes barcos de cruzeiro ou navios similares.

Independentemente dos objectivos do e5 Consortium, não deixa de ser curioso conceber um navio não poluente para transportar um combustível extremamente poluente a outros barcos que o irão queimar…