A afirmação vem do responsável pelo Desenvolvimento e Investigação da Mercedes, Markus Schäfer, que vaticinou para os combustíveis sintéticos um futuro sombrio, pelo menos no que respeita à sua utilização pela indústria automóvel.

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Isto pode parecer curioso vindo de um construtor que tem experiência sobre a matéria, uma vez que a gasolina que desenvolve em parceria com a Petronas para os motores de Fórmula 1 é essencialmente sintética. Mas os combustíveis sintéticos a que Schäfer agora se refere são outros.

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A gasolina conseguida através da refinação do crude é uma mistura de hidrocarbonetos com 6 a 10 átomos de carbono e cerca do dobro de hidrogénio. Porém, o produto da refinação tem igualmente enxofre, azoto e matéria que, uma vez queimada, vai dar origem às partículas. A gasolina sintética da Mercedes/Petronas mantém uma estrutura química próxima de C8H18, dependendo da origem do crude, mas sem outros componentes que possam beliscar a potência dos motores 1.6 V6 Turbo dos F1.

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O que Schäfer defende como não interessante para a indústria é a gasolina sintética neutra em carbono. Como a gasolina vai lançar carbono para o ar sempre que é queimada, a solução preconizada por outros fabricantes para manter os motores de combustão no activo, limitando as suas emissões nocivas – sobretudo enquanto as baterias não evoluem e não surge uma forma eficiente de resolver o transporte rodoviário pesado, o marítimo e o aéreo –, é produzir este combustível com átomos de carbono retirados da atmosfera e de hidrogénio gerado a partir de fontes renováveis. Desta forma, quando esta gasolina sintética é queimada, limita-se a devolver para a atmosfera o carbono que de lá saiu para ser fabricada.