A deputada Mariana Silva, de “Os Verdes”, pediu esclarecimentos ao Governo sobre a eventual reativação e ampliação de um aterro sanitário nos limites dos concelhos da Trofa e Santo Tirso, informou aquele partido. Em causa está a reativação, perspetivada para 2021, de um aterro encerrado em 2016 na freguesia de Santa Cristina do Couto, concelho de Santo Tirso (de que resta apenas uma estação de recuperação de energia e um ecocentro) e seu alargamento à localidade contígua de Covelas, já no município da Trofa.

Em requerimento entregue na Assembleia da República e dirigido ao Ministério do Ambiente e da Ação Climática, a deputada pergunta se o Governo “tem conhecimento de pedidos de licenciamento, em fase de análise ou de licenças já concedidas, para a instalação, expansão ou reabertura de aterros em Santo Tirso ou na Trofa”. “Em caso afirmativo”, a deputada pergunta “em que fase do licenciamento se encontram, qual o tipo de resíduos a serem depositados nestes aterros e se está prevista a receção de resíduos perigosos e/ou não perigosos”.

Ainda no mesmo pressuposto, Mariana Silva questiona “qual a proveniência dos resíduos destinados aos aterros” e se “está prevista a receção de resíduos importados tendo como destino aterros em Santo Tirso ou na Trofa”.

O presidente da Junta de Covelas, uma freguesia com 1.600 habitantes, já disse à agência Lusa que foi abordado por “pessoas assustadas” com a situação. Mas Feliciano Castro contrapôs que o que se prevê para a zona “é o depósito de resíduos já tratados”. Também a Câmara de Santo Tirso fez saber, em comunicado, que está “frontalmente contra” a reativação e prolongamento do aterro.

Já o presidente da Câmara da Trofa, Sérgio Humberto, confirmou na terça-feira à agência Lusa que Covelas vai receber a extensão do aterro sanitário a reativar em Santa Cristina do Couto, revelando que o seu município vai receber uma contrapartida de dois milhões de euros e desvalorizando os riscos temidos pela população.

“As indicações técnicas que tenho é que um aterro sanitário cumpre todos os requisitos e que não provoca qualquer tipo de constrangimento”, disse ainda o presidente da Câmara da Trofa, reiterando que “o impacto para o município e para a população é zero, não há cheiro, nem contaminação das linhas de água”.

O aterro (tecnicamente designado “unidade de confinamento”) será explorado pela Resinorte e, segundo o autarca da Trofa, “cumpre uma legislação muito exigente” e “já foi aprovado pela Agência Portuguesa do Ambiente, pela Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos, e pelo Ministério do Ambiente”, ficando a faltar “a aprovação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte”.

Sérgio Humberto disse esperar que o “arranque da operação aconteça em meados de 2021”, mas admitiu atrasos.