Douglas Ross, o subsecretário de Estado do Reino Unido para a Escócia, demitiu-se esta terça-feira na sequência da polémica de Dominic Cummings, o principal assessor do primeiro-ministro britânico. Como relata a BBC, Ross afirma que os “eventos nos últimos dias significam que não posso mais servir como membro deste governo”.

Dominic Cummings desrespeitou as regras da quarentena ao ter viajado 400 km, em março, até Durham, quando a mulher, a jornalista Mary Wakefield, tinha sintomas de Covid-19. O assessor queria deixar o filho com familiares que tomariam conta dele. De acordo com as medidas de isolamento, introduzidas a 23 de março no Reino Unido, qualquer pessoa com sintomas deve auto isolar-se nas suas casas. E as pessoas com mais de 70 anos – como os pais de Cummings – não estão autorizadas a receber visitas.

Principal assessor de Boris Johnson não se demite. “Não me arrependo das decisões que tomei” ao violar quarentena

Ross afirmou na nota sobre a sua saída, como partilhou no Twitter, que muitos britânicos tiveram de faltar a funerais e evitar ver familiares doentes. Por causa disso, classifica o comportamento do assessor de Johnson como irresponsável e diz que não consegue compreender a justificação oficial.

Embora as intenções possam ter sido boas, a reação a essas notícias mostram que a interpretação do senhor Cummings dos conselhos do governo não foi partilhada pela grande maioria das pessoas que fizeram o que o governo pediu”, diz Ross.

Cummings, apesar de ter sido pressionado a pedir desculpa aos britânicos pelo seu “comportamento irresponsável”, como descreveram os jornalistas no local, não se mostrou arrependido. O homem que é um dos braços direitos de Johnson admitiu até que se portou de “maneira racional, tentando minimizar os riscos”. Isto porque, ainda segundo o assessor, as regras do confinamento admitem “circunstâncias excecionais”, como foi o seu caso, quando se trata de “cuidar de crianças pequenas”.

Cummings tem sido uma figura controversa no governo britânico. Ajudou a liderar a campanha pró-Brexit, em 2016, e segundo a imprensa, também esteve detrás das primeiras opções do primeiro-ministro em termos de combate ao novo coronavírus.