O início do julgamento de 12 pessoas acusadas de estarem envolvidas no furto de 55 armas Glock do armeiro da direção nacional PSP está marcado para 18 de junho, no tribunal judicial de Lisboa.

Segundo o portal Citius, já estão agendadas, para o Campus de Justiça, duas sessões do julgamento, a segunda das quais para o dia 19 de junho.

Neste processo, o Ministério Público acusou 12 pessoas pelo furto das armas da PSP, cujos crimes foram cometidos entre dezembro de 2015 e janeiro de 2017.

Na acusação, o MP considera que o agente da PSP Luis Gaiba aproveitou o deficiente controlo do armeiro, do qual foi responsável, para furtar as armas, avaliadas em cerca de 20 mil euros.

Luís Gaiba está acusado de associação criminosa, tráfico e mediação de armas, branqueamento de capitais, detenção de arma proibida e peculato.

Segundo o MP, Luís Gaiba percebeu que o controlo das armas se encontrava fragilizado, que o seu registo não era atualizado e que, devido à dispersão das chaves de acesso às instalações, não havia qualquer tipo de registo de acesso ao local.

As falhas de supervisão e controlo foram aproveitadas pelo arguido para furtar as armas e vendê-las em circuitos paralelos de tráfico de armas e droga.

Contudo, o agente, na tentativa de que as suspeitas do desaparecimento das armas não recaíssem sobre si, denunciou as fragilidades do armeiro à direção nacional da PSP e acedeu à base de dados para saber quais as armas de fogo que não estavam distribuídas a outros polícias.

Posteriormente, indica a acusação, iniciou contactos com um grupo de pessoas que pudessem colocar as armas no circuito ilícito de vendas de armas.

Luis Gaiba, juntamente com a sua mulher, António Laranginha e João Paulino, estes dois também arguidos no processo de furto de armamento militar dois paióis de Tancos, formaram um grupo, ao qual também pertenciam Mário Cardoso, Armando Barros e Manuel Neves.

O grupo, ainda segundo a acusação, vendeu as armas a um conjunto de pessoas que estavam acusadas de tráfico de droga em Portugal, Espanha e Reino Unido e em cujos processos foi possível apreender algumas das pistolas.

Este caso remonta a janeiro de 2017, quando foi detetado o desaparecimento de armas Glock e respetivos estojos, dois carregadores e os kits de limpeza, após a apreensão de uma arma de fogo da polícia durante uma operação policial que decorreu no Porto.

Na altura, o Ministério da Administração Interna pediu uma auditoria na Inspeção-Geral da Administração para que fossem harmonizados os mecanismos de controlo de segurança do armazenamento de armas e munições das forças de segurança.