A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) apreciou o apelo do ministro Manuel Heitor no sentido de o ensino superior retomar as atividades presenciais, disse esta terça-feira o presidente da associação, Manuel Machado.

“O Conselho Diretivo da ANMP apreciou a posição” do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, manifestada na segunda-feira, em Coimbra, “apelando a que as escolas superiores politécnicas e universitárias ponderem também a sua importância para a recuperação da atividade económica e social dos territórios em que estão inseridas“, afirmou Manuel Machado.

“É preciso recuperar a confiança e recriar a esperança das populações, e as escolas, nos seus diversos ciclos e graus, são um fator essencial para esse ganho de confiança”, sublinhou o presidente da ANMP.

O Conselho Diretivo da ANMP compreende e respeita “os receios das pessoas”, mas entende que, “desde que sejam tidos em conta os cuidados estipulados pela Direção Geral da Saúde — desde o uso de máscaras em locais fechados, à higiene das mãos à entrada e saída dos espaços —, é salutar retomar a vida normal, respeitando o afastamento físico de autoproteção e segurança”, salientou Manuel Machado.

Na reunião desta terça-feira daquele órgão, os autarcas analisaram “a situação atual de pandemia [de Covid-19]”, designadamente “o desconfinamento progressivo, que tem vindo a ser feito de acordo com as recomendações das autoridades de saúde pública”, adiantou o presidente da ANMP.

Este desconfinamento “começa a permitir a vida social” e a “recuperar, gradualmente, a atividade económica”, sustentou Manuel Machado, que também é presidente da Câmara de Coimbra, e que falava aos jornalistas, esta terça-feira, naquela cidade, no final da reunião do CD da ANMP.

O ministro Manuel Heitor apelou, na segunda-feira, em Coimbra, no final de uma deslocação à Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, do Instituto Politécnico, onde assistiu à retoma das atividades letivas presenciais, à retoma do ensino presencial e pediu às instituições públicas e privadas para continuarem a acolher os estudantes estagiários e a criar emprego.

“Não há desculpa para as instituições de ensino superior estarem fechadas”, disse o ministro aos jornalistas.

“O Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) tem sido particularmente ativo a atrair de novo os estudantes, a criar um clima de confiança e, obviamente, foi importante vermos aqui o planeamento que está em curso para as atividades presenciais com estudantes, incluindo a avaliação, ser agora retomada de uma forma ativa e forte em junho e julho”, frisou.

Salientando que não há sistema de ensino sem uma interação presencial entre os estudantes e os docentes, o governante disse que, para retomar o ensino de uma forma presencial e responsável, “todas as soluções serão possíveis de encontrar”, depois da interrupção de mais de dois meses devido à pandemia.

Portugal, que contabiliza 1.342 mortos associados à Covid-19 em 31.007 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia divulgado esta terça-feira, entrou no dia 3 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à Covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

O Governo aprovou novas medidas que entraram em vigor na segunda-feira, entre as quais a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios.