Entre os 219 novos casos de infeção do novo coronavírus verificados nas últimas 24 horas, 211 são da região de Lisboa e Vale do Tejo. Ou seja, 96,3% do total de novos infetados, a maior percentagem de sempre na região desde o início da pandemia. Por isso, esta terça-feira, durante a habitual conferência de imprensa, Graça Freitas assumiu: ” É uma situação complexa mas está com medidas apertadas e tem sido feito um excelente trabalho”.

Neste momento, Lisboa e Vale do Tejo tem 11.359 pessoas em vigilância, por estes surtos e pelos contactos próximos destas pessoas. Está a ser feito um grande esforço para se identificarem antes os casos. A maior parte está a ser seguida em domicílio e a partir daí estamos a perceber os contactos de risco, a colocar em vigilância para quebrar a cadeia”, disse Graça Freitas.

Sobre esta situação, a diretora-geral da Saúde explicou ainda que “existem alguns surtos mais ou menos localizados”. “Na área que é abrangida por Almada e Seixal existem três pequenos focos comunitários que têm 32 casos até à data”, explicou, ressalvando que “as autoridades de saúde e a Câmara do Seixal têm atuado diretamente nos bairros onde se está a verificar estes fenómenos para ver os casos secundários e acabar com a cadeia de transmissão”. Já na Azambuja, “são cerca de 125 casos mas apareceram agora dois novos casos de duas empresas diferentes, sendo que um deles foi transmissão por contacto familiar”, disse.

Em Lisboa a situação parece ser realmente “complexa”. A região de Lisboa e Vale do Tejo estava com cerca de 63% de novos casos só neste mês de maio. Na semana passada esta região era responsável por 75% dos novos casos, um número que subiu para 86% no domingo, 87% ontem e 96,3% esta terça-feira. Ao todo, 43% dos novos 26.392 casos em vigilância pelas autoridades são de Lisboa e Vale do Tejo (11.359).

Quanto ao Bairro da Jamaica, Graça Freitas assumiu que “é um dos focos e tem identificado 16 casos positivos, que estão a ser acompanhados”. Sobre a Azambuja, “a situação é estável e controlada” e “os casos têm estado a evoluir bem”, acrescentou Graça Freitas sobre os focos existentes em Lisboa e Vale do Tejo.

Números que, sem Lisboa, são mais positivos e discussão de abertura de fronteiras

Esta terça-feira, Portugal ultrapassou a barreira dos 31 mil casos de infetados confirmados, tendo agora 31.007. O número de mortes está agora nos 1.342, mais 12 nas últimas 24 horas. António Lacerda Sales, secretário de Estado da Saúde, adiantou ainda que, nos lares, há 285 casos de Covid-19, o que representa uma diminuição. 11,3% das “estruturas para idosos”. “No Alentejo já não há lares com casos positivos”, adiantou também.

De acordo com o responsável político, a pandemia ainda é “imprevisível” e, questionado sobre a manutenção dos hospitais de campanha, disse: “Estamos muito atentos, é natural que muitos se mantenham de acordo com a imprevisibilidade do próprio surto”.

Lacerda Sales referiu-se ainda à situação das fronteiras quando questionado pelos jornalistas. O secretário de Estado adiantou que o Ministério da Administração Interna está a coordenar essa matéria com mais países, incluído Espanha e Itália. Contudo, o Ministério da Saúde não adiantou mais pormenores e “não há uma decisão formal sobre esta matéria. A abertura de fronteiras vai ter “em conta a situação epidemiológicas noutros países”. “Há também uma articulação mais abrangente no quadro da União Europeia”, referiu.

Por fim, Graça Freitas referiu ainda que “está por horas a saída das normas para os acompanhantes da mulher no parto”. “É favorável aos acompanhantes mas a última palavra depende sempre do parto em concreto e a última palavra será da equipa que acompanha o parto”, completou.