A incapacidade do governo brasileiro de conter a pandemia de Covid-19 e o “stress político” colocou o Brasil em “subdesempenho significativo” e em estimativas económicas negativas, disse esta terça-feira à Lusa o diretor gerente do banco JP Morgan, Bruce Kasman.

“A recuperação económica no Brasil é, definitivamente, uma das piores performances em termos de recuperação”, afirmou Bruce Kasman na apresentação de um estudo económico do banco, no qual se prevê uma descida de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil até final deste ano, em comparação com os níveis do início do ano.

“É um subdesempenho significativo”, considerou o economista, estimando que o PIB mundial vai sofrer uma descida média de 4%.

Para Bruce Kasman, o desempenho da economia brasileira foi afetado, porque “mexeram-se algo tarde e estão agora a ter sérios problemas em conter a crise”, e reforçado, porque há “pontos de stress político interno que estão a colocar pressão no mercado financeiro”.

O diretor gerente considerou que, “mesmo com o banco central a tentar aliviar” o impacto da crise de Covid-19, todos os fatores criam “pressão descendente” e resultam num “salto menos completo” com vista à recuperação económica do Brasil.

“Penso que é um reflexo da incapacidade de tomar o vírus sob controlo rapidamente, aliado ao stress que vemos desenvolver-se na economia, em termos de condições financeiras”, disse o economista.

Com ponto de partida em 24 de janeiro deste ano, o PIB real da América Latina vai diminuir 14,7% no segundo trimestre de 2020 e 7,3% no quarto trimestre, segundo a análise do banco JP Morgan.

No quarto trimestre de 2021 continua a prever-se a redução do PIB da América Latina em 7,4%, em relação ao nível pré-crise sanitária, 24 de janeiro último.

Cumulativamente, a América Latina poderá vir a perder 15,3% do PIB entre 2020 e 2021.

Por outro lado, a descida média de todas as regiões do mundo entre 2020 e 2021 será de 10,9%, o que demonstra que a América Latina é a região com maior descida de PIB do mundo.

O estudo apresentado esta terça-feira pelo banco concluiu que houve uma “redução histórica da atividade económica como resultado do choque provocado pela Covid-19”.

Apesar de o impacto económico ser muito profundo, o banco acredita que será de “curta duração”, o que vai possibilitar crescidas rápidas e repentinas no segundo semestre deste ano.

O estudo também concluiu que a recuperação económica vai ser “parcial” e “vai deixar muitos estragos na economia global”, com duração mais permanente, como o desemprego e perda de rendimento.

O Brasil é o segundo país com maior número de infetados por Covid-19 do mundo (377.780 infetados e mais de 23.600 mortos), apenas atrás dos Estados Unidos da América (mais de 1,7 milhões de casos de infeção).

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 346 mil mortos e infetou mais de 5,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.