O dossiê da TAP está quente e voltou esta quarta-feira ao Parlamento, pela voz do CDS, que pegou no tema para acusar o Governo de “andar a fazer política” à custa de uma companhia aérea que está a viver “a maior crise de sempre”, em vez de se concentrar em arranjar soluções para essa mesma crise do setor.

“O Governo sabe sequer de quanto é que a TAP precisa?”, questionou João Gonçalves Pereira na declaração política do CDS desta tarde. Sem o Governo presente para responder, foi o PS e os partidos da esquerda parlamentar quem responderam ao deputado centrista, com o PCP a alegar que “o papel do Estado não é passar cheques a multinacionais, mas sim, defender o interesse nacional”, e com o Bloco de Esquerda e criticar o CDS por defender a proposta dos acionistas privados da TAP, que deixa o Estado de fora da gestão da empresa, ao mesmo tempo que diz defender o dinheiro dos contribuintes.

Para os centristas, que em 2015 defenderam a privatização da TAP, o que se tem passado na última semana nada tem a ver “com visões estratégicas”, mas sim com “andar a fazer política com uma companhia aérea que enfrenta a maior crise de sempre no setor”. Segundo João Gonçalves Pereira, o Governo está a “prejudicar o valor da TAP, utilizando-a como arma de arremesso político, e colocando empregos, investimentos e parcerias em causa”.

“Num período de crise para todas as companhias aéreas, o governo deve fazer tudo para não prejudicar, ainda mais, o valor da empresa, independentemente das preferências ideológicas ou pessoais de cada um”, disse o deputado centrista, sublinhando que, à parte das “tiradas folclóricas, comentários na comunicação social e algum deslumbramento”, o governo nada fez em termos de políticas concretas de apoio para a companhia aérea.

Numa altura em que chovem as críticas ao novo plano de rotas da TAP para a fase da retoma, que se centra na sua maioria no aeroporto de Lisboa, deixando de fora o do Porto, de Faro, da Madeira e dos Açores, incluindo críticas do próprio Governo e do PS, João Gonçalves Pereira questiona precisamente se o Governo tem “uma proposta de plano de rotas para a TAP”, e se sabe “em que termos a companhia vai retomar atividade”.

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Ou seja, no entender do CDS, se o plano estratégico que o Estado assinou para a TAP mereceu o aval do Governo, então o Governo tem de “honrar os compromissos que assinou” e tem de “exigir o mesmo dos parceiros”. “Se o Estado quer defender a sua posição na companhia aérea, deve proteger as parcerias com que se comprometeu”, disse.

“Eu já vi o CDS desproporcionalmente preocupado com a gestão privada da TAP, agora vejo o CDS com essa preocupação mas, como mudaram os ventos, começa a falar de decisões estratégicas da TAP, como o plano de rotas e o efeito no país”, respondeu o deputado socialista Carlos Pereira.

O comentário do deputado do CDS também fez com que o Bloco de Esquerda, pela voz da deputada Isabel Pires, criticasse o facto de o CDS defender a proposta dos acionistas privados da TAP ao mesmo tempo que pede, afinal, intervenção do Estado na gestão da companhia aérea. João Gonçalves Pereira, contudo, responde que o apoio do Estado se deve apenas à situação de pandemia que paralisou o setor. Já José Luís Ferreira, dos Verdes, criticou a “brincadeira” que é a TAP estar a definir rotas “sem conhecer a estratégia de abertura de fronteiras” dos vários países. “É, no mínimo, uma brincadeira”, disse.