O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, elogiou esta quarta-feira a cautela dos portugueses durante o desconfinamento, sobretudo num período em que poderia ser expectável um aumento dos conflitos sociais e da criminalidade.

Numa intervenção por telefone durante a emissão da CMTV, o chefe de Estado destacou que “vem nos manuais que, a seguir a um período de confinamento muito extremo, embora voluntário, das pessoas, as sociedades conhecem momentos um pouco mais tensos, e essa tensão tem outras expressões, psicológicas, mentais, sociais, de tensão, de conflitualidade, mas nalguns casos também de criminalidade“.

“Felizmente, estamos a falar de um momento que já é vivido desde o dia 3, já lá vão mais de 20 dias, e o que existe não tem correspondido àquilo que podia ser uma preocupação, que é o vir à superfície, vir à tona, um conjunto de tensões e de conflitos interiorizados”, sublinhou Marcelo.

“Felizmente, isso não tem acontecido, mas também aí há muito de bom-senso dos portugueses, da forma muito cuidadosa como têm feito esta abertura, até por razões de saúde pública, permanentes, que continuam na sua cabeça, mas também pela eficiência, que já existiu no período anterior, das forças de segurança”, acrescentou o Presidente.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, o desconfinamento “tem corrido bem para o que se poderia imaginar depois de um período tão longo, em que tivemos de fazer aquele esforço para tentar chegar a resultados que nos permitam evitar ou minorar um agravamento do surto“.

Marcelo falava da questão da criminalidade a propósito das notícias que davam conta de um assalto violento na noite de terça-feira em Cascais, a poucos metros de um hotel onde o Presidente da República jantava.

Preocupação em Lisboa. “Um número apreciável de pessoas sob acompanhamento”

O chefe de Estado foi também questionado sobre as preocupações das autoridades de saúde relativamente à região de Lisboa e Vale do Tejo, a única do país onde os números da pandemia da Covid-19 não estão a estabilizar ou a baixar.

Tem havido um processo evolutivo em que a região Norte teve uma maior incidência no início, depois houve ali números preocupantes na região Centro, e a região de Lisboa e Vale do Tejo veio a ganhar uma expressão maior, até pelo número de testes efetuados nos municípios da Grande Lisboa, nas duas margens do Tejo, e realmente nos últimos tempos Lisboa acabou por ter um número de infetados, e as autoridades sanitárias têm olhado para esse número, que estão a acompanhar com todo o cuidado, para tentar descobrir, isto é localizar e compreender a natureza destes surtos”, considerou Marcelo.

Segundo o Presidente da República, “alguns, aparentemente foi fácil de descortinar, porque diziam respeito a uma população que, embora não em meio laboral, mas que estava ligado a determinadas unidades de produção, e foi um número muito elevado ligado a essas unidades de produção, por razões que não ligadas ao meio de trabalho, e depois surgiram os surtos, vários deles também localizados, e estão a ser acompanhados, com cuidado”.

“Há um número apreciável de pessoas que estão sob acompanhamento por parte das autoridades de saúde”, acrescentou.

“É preocupante? Nós permanentemente temos que estar atentos à abertura da sociedade e da economia, mas também atentos a que haja um controlo da situação de saúde, não esquecendo que os efeitos do que se passa num dia em muitos casos só são visíveis 14 dias depois. Seis dias de incubação e oito dias de comunicação ou reporte. Quando estamos hoje, no dia 27, estamos a pensar no que ocorreu há 14 dias, no dia 13“, disse Marcelo Rebelo de Sousa.