O Congresso norte-americano aprovou na quarta-feira um projeto de lei para punir os responsáveis chineses acusados de “internamento em massa” de muçulmanos uigures.

A Câmara dos Representantes votou a favor do texto com uma esmagadora maioria de 413 votos a favor e apenas um contra. O Senado já havia aprovado o mesmo por unanimidade em meados de maio.

Agora cabe ao Presidente norte-americano, Donald Trump, promulgar a lei, correndo o risco de agravar ainda mais as relações já difíceis entre Washington e Pequim.

Na semana passada, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou ter adotado sanções comerciais contra nove entidades chinesas por cumplicidade em violações de direitos humanos da comunidade uigur na China.

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Um instituto científico do Ministério da Segurança chinês e oito empresas foram colocados na lista negra de Washington, que lhes impôs, nomeadamente, “restrições de acesso à tecnologia americana”, indica o Departamento de Comércio, em comunicado.

Estas novas nove entidades “são cúmplices de violações de direitos humanos e abusos cometidos durante a campanha de repressão, detenções arbitrárias em massa, trabalho forçado e vigilância com recurso a alta tecnologia contra os uigures, os cazaques e outros grupos minoritários muçulmanos na região autónoma uigur de Xinjiang”, acrescentou a mesma fonte.

Os Estados Unidos e numerosas organizações de defesa dos direitos humanos acusam a China de deter mais de um milhão de membros da comunidade uigur em “campos de reeducação” situados naquela região, situada no extremo oeste do país, junto à fronteira com o Paquistão e o Afeganistão.

A China desmente e diz que se trata de centros de formação profissional destinados a ajudar aquela população a encontrar emprego e a desviá-la do islamismo e do terrorismo.

Em 2019, a região autónoma de Xinjiang foi palco de confrontos violentos e mortais entre a minoria uigur e o governo central de Pequim, que partilham uma longa história de discórdia.

Nas últimas décadas, a região presenciou uma intensa migração de chineses de etnia han, dominante, que, segundo a BBC, já compõem cerca de 40% da população de Xinjiang, enquanto os uigures representam 45%.

As novas sanções acontecem num momento de tensão entre os Estados Unidos e a China, no contexto da pandemia de Covid-19.